Número de famílias que planejam gastos cai

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No atual cenário econômico, com inflação elevada e aumento no índice de desemprego, elaborar um planejamento financeiro e, principalmente, cumpri-lo, ficou mais difícil para os belo-horizontinos. A Pesquisa de Orçamento Doméstico, realizada neste mês pela área de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, mostra que 73,3% das famílias programam os gastos mensais. Em junho do ano passado, esse índice era de 76,7%. Além disso, entre aqueles que elaboram o orçamento doméstico, apenas 30% conseguem efetivamente segui-lo.

Na avaliação da analista de pesquisa da entidade, Elisa Castro, esse recuo no indicador é resultado, em linhas gerais, de uma deterioração da situação financeira das famílias. “Percebemos que o rendimento mensal não está sendo suficiente para cobrir as despesas básicas. Assim, com dívidas acumuladas e precisando de outros recursos para complementar a renda, fica difícil para o consumidor se planejar”, argumenta. Conforme o levantamento, em junho de 2015, 96,7% dos entrevistados conseguiam pagar as contas em dia. Hoje, são apenas 51,3%. O restante está endividado ou recorre a algum tipo de financiamento para suprir as despesas rotineiras.

Diante desse panorama, a reserva financeira também ficou para segundo plano. “Nas pesquisas anteriores, o principal destino do dinheiro que sobrava, após o pagamento dos compromissos correntes, era a poupança. Agora, ele vai para o lazer”, comenta Elisa. Em junho deste ano, 27,6% dos entrevistados utilizaram as economias para essa finalidade, contra 26,1% que optaram pelo investimento. Em seguida, estão gastos com turismo (12,35) e compras/consumo (11,1%). Quando não sobra nada, 27,9% dos belo-horizontinos deixam de consumir algo que considera supérfluo.

A pesquisa da Fecomércio MG também revela que o grupo de produtos mais adquirido na capital mineira é o de gêneros alimentícios (67,6%). No entanto, o maior peso no orçamento é o da energia elétrica, indicada por 50,3% das famílias. Depois aparecem a conta de água (37,7%) e a alimentação (25,1%). Em relação aos empréstimos e financiamentos, o primeiro colocado é o cartão de crédito (57,8%) e de loja (11,6%). As dívidas com terceiros e familiares, em terceiro lugar, representam 4,5% do total.