Mais da metade dos belo-horizontinos compra produtos piratas

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Quase 63% dos consumidores de Belo Horizonte compraram algum produto pirata nos últimos seis meses, conforme pesquisa realizada pela área de Estudos Econômicos da Fecomércio MG. Para a maioria (74,6%), o preço mais em conta é a principal justificativa. O estudo tem o objetivo de avaliar a disposição do cidadão para adquirir esses itens, bem como sua avaliação em relação a eles. Na atual conjuntura, é perceptível um aumento da oferta de itens falsificados ou que violam, de alguma forma, as leis de propriedade intelectual e direitos autorais.

Os CDs e DVDs estão no topo da lista de preferências, sendo os mais procurados por 54% dos entrevistados. Na sequência, aparecem roupas (35,7%), calçados (21,4%), bolsas (21%) e óculos (16,7%). “Ao longo dos anos, a população tem recorrido à pirataria com a justificativa de ser uma alternativa mais barata para presentear ou para o próprio consumo de determinados produtos. Isso é acentuado em momentos em que o orçamento das famílias fica mais apertado, como este”, destaca o economista da Fecomércio MG, Guilherme Almeida.

Almeida também observa que a maioria dos clientes não percebe com muita clareza os impactos negativos dessa prática na estrutura das empresas e, consequentemente, no mercado formal. Nesse sentido, a pesquisa mostra que, enquanto grande parte dos consumidores entende que a pirataria prejudica o fabricante ou artista (82,7%) e o faturamento do comércio (80,4%), além de alimentar a sonegação de impostos (75,8%), mais da metade (52%) não a associa ao desemprego nem acredita que baixar filmes, músicas e jogos da Internet para uso pessoal seja crime. Lembrando que quem compra produtos piratas pode responder pelo crime de receptação, previsto no artigo 180 do Código Penal.

Outro ponto que chama a atenção na pesquisa é o fato de 26,4% dos entrevistados defenderem que a prática não deve ser combatida. “Os números revelam que falta conhecimento da sociedade sobre os riscos e prejuízos provocados por esses produtos e, também, efetividade às campanhas realizadas na tentativa de combater o problema. A pirataria é um costume que está enraizado na cultura do brasileiro e é um desafio alterar isso”, lamenta Almeida.

Adquirir itens piratas fez parte, principalmente, do cotidiano dos homens (67%) e dos jovens de 16 a 24 anos (55%), nos últimos seis meses. Por regiões, o maior consumo ocorreu entre os moradores das regionais Barreiro (70,5%) e Norte da capital (66,7%). Em relação às pessoas que não fazem uso dos produtos ilegais, os motivos apontados foram má qualidade (50%), falta de garantia (35,5%), crença de que os prejuízos superam o benefício financeiro (28,8%), entre outros. Além disso, mais da metade (54,3%) dos consumidores se frustrou após a compra de um item pirateado.

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