Nova queda no endividamento do consumidor

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Pelo quinto mês consecutivo, o índice de endividamento em Belo Horizonte, apurado pela Fecomércio MG com base em pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresentou recuo. O indicador atingiu, em novembro, 26% da população, contra 29,6% em outubro. Em junho, quando teve início essa trajetória, estava em 38,4%. Já a inadimplência, que avalia quem não terá condições de honrar as dívidas contraídas, registrou uma ligeira alta, passando de 3,3% para 3,7% no mesmo período.

A pesquisa retrata o comprometimento da renda com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito e de lojas, cheques pré-datados etc. A queda no endividamento é um reflexo da redução do consumo, de acordo com o economista da Fecomércio MG, Guilherme Almeida. “O belo-horizontino está comprando menos, evitando adquirir compromissos financeiros para tentar obter um alívio no orçamento. Porém, ainda não está conseguindo garantir a plena capacidade de pagamento dos compromissos assumidos”, pontua.

A principal pendência continua sendo o cartão de crédito. Em novembro, 85,4% dos entrevistados se comprometeram com essa modalidade, seguida por financiamento de casa (10,2%), financiamento de carro (8,0%), crédito pessoal (6,5%) e cheque especial (5,2%). “Esse perfil das dívidas exige planejamento, pois os juros mensais para quem entra no rotativo (atrasa o pagamento ou paga somente o valor mínimo) do cartão de crédito são os mais altos do mercado. O cartão pode ser um aliado, se usado como instrumento de controle para os pagamentos. Mas se torna vilão quando vira complemento da renda”, alerta Almeida.

Intenção de Consumo das Famílias

Em função dessas dificuldades para equilibrar as contas, a confiança na economia segue no nível da insatisfação, conforme outro levantamento da CNC, compilado pela Fecomércio MG. O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da capital passou de 66,9 pontos para 64,7, entre outubro e novembro, interrompendo duas altas seguidas. O número permanece abaixo dos cem – acima disso, a classificação é de otimismo.

Os indicadores de perspectiva profissional (86,3 pontos), renda atual (86,1), acesso ao crédito (52,3), perspectiva de consumo (37,7), entre outros, apresentaram retração. “Esse resultado pode ser atribuído, principalmente, às preocupações relacionadas ao mercado de trabalho atual, com o desemprego ainda em elevação, e prognósticos desfavoráveis para o início de 2017. Muitas famílias tiveram diminuição da renda e outras têm receio do futuro”, comenta Almeida. Conforme o levantamento, 55,6% dos entrevistados não acreditam em uma melhora profissional em seis meses. Já 75,8% afirmam que irão consumir menos nos próximos meses.

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