Corte nos juros incentiva retomada do crédito

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Com a inflação sob controle, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu pela sétima vez seguida a taxa básica de juros. Ela é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as outras taxas de juros no país. Ao abaixá-la, o Copom torna o crédito mais barato e incentiva a produção e o consumo. Mas a intensidade da queda de um ponto percentual na Selic – de 10,25% para 9,25% ao ano – nem sempre se reflete na economia real.

O economista da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, esclarece que a taxa de juros cobrada ao empresário e ao consumidor final é formada por um parâmetro combinado. “O banco, ao analisar o perfil de uma pessoa física ou jurídica, avalia fatores como o lucro da instituição, os custos administrativos da concessão de crédito, o nível de inadimplência do consumidor e a taxa referencial – no caso, a Selic”. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que 59,4 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em julho. O alto índice de negativados acaba diminuindo o impacto da Selic na taxa cobrada pelos bancos.

A redução da taxa básica de juros, anunciada no dia 26 de julho, fez a concessão de crédito ao setor terciário avançar em relação ao ano passado. De acordo com o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, o saldo de empréstimo ao comércio subiu 2,1% no mês de junho. Com o crédito mais barato e acessível ao empresário, o mercado é capaz de voltar a investir, seja por meio da oferta de um mix mais diverso de produtos, pela expansão do estabelecimento ou com novas contratações.

Para o consumidor, a queda da taxa Selic representa um incentivo a mais para a retomada do consumo de bens duráveis e semiduráveis, que necessitam de melhores condições de financiamento. Em junho, os preços de bens de consumo duráveis tiveram um tímido recuo de 0,01%, ante um avanço de 1,56% no mês anterior. Enquanto isso, os bens semiduráveis e não duráveis recuaram 0,32% em junho, contra um aumento de 0,25% em maio.

Inflação e inadimplência

As condições de crédito para empresários e consumidores devem melhorar ainda mais a partir de setembro. O BC já sinaliza reduzir a taxa básica de juros em 1 ponto percentual (p.p.) no próximo mês, o que pode reaquecer a economia. A princípio, os cortes não devem refletir na inflação, mas isso pode mudar em médio prazo. “Se houver uma retomada do consumo nos próximos seis a oito meses, de forma a tornar a demanda familiar maior que a oferta de produtos, haverá um processo natural de pressão sobre o nível dos preços”, atenta o economista da Fecomércio MG.

Em contrapartida, o impacto da decisão do Copom sobre a inadimplência deve ser pequeno, segundo Almeida. Apesar de a taxa Selic influenciar no custo da dívida, o cumprimento dos débitos está mais relacionado à educação financeira. “Se tenho uma taxa de juros menor, terei uma dívida mais barata e será mais fácil quitá-la. Porém, de nada adianta diminuir esse custo se não consigo me planejar para honrar esses compromissos”, observa o economista.

O ex-diretor do Banco Central e chefe da divisão econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, espera que a taxa Selic atinja 8% este ano e 7% em 2018. “O alívio para a economia do país deve vir da política monetária, com a inflação sob controle e a taxa básica de juros em queda”, projeta.

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