Endividamento das famílias brasileiras

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Durante a maior crise econômica da história do Brasil, a proporção de famílias endividadas em duas capitais da Região Sudeste caiu significativamente entre 2015 e 2016. Em Belo Horizonte, a parcela de famílias que declararam ter algum tipo de dívida passou de 46% em dezembro de 2015 para 24% ao fim de 2016, a menor taxa entre as 27 capitais brasileiras. No Rio de Janeiro, essa proporção passou de 67% para 52% no mesmo período, uma redução de 15 pontos porcentuais (p.p.). Vitória (68%) foi a única capital da Região Sudeste a registrar taxa de endividamento acima da média brasileira (57%), enquanto São Paulo encerrou 2016 com 52% das famílias endividadas, a quinta menor proporção entre todas as capitais.

Os dados compõem a sétima edição da Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O estudo avalia os principais aspectos, dimensões e efeitos da política de crédito no Brasil sobre as famílias entre 2014 e 2016, período particularmente turbulento tanto no campo político quanto no econômico. A análise foi feita com base em informações do Banco Central do Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em relação às famílias com dívidas em atraso, mais uma vez a capital mineira se destacou positivamente. Além de apresentar a segunda menor proporção de famílias inadimplentes no ranking nacional, Belo Horizonte foi a única capital do Sudeste que apontou retração nessa taxa entre 2014  ano em que os sinais da crise ficaram mais evidentes  e 2016 passando de 19% para 9%. Nesse mesmo período comparativo, essa proporção subiu de 21% para 25% no Rio de Janeiro, e de 21% para 32% em Vitória. Apesar do aumento de 11% para 18% observado em São Paulo, a capital paulista permaneceu abaixo da média nacional de famílias com contas em atraso (23%) em dezembro de 2016.

No quesito “valor médio de dívida por família”, a capital paulista se sobressaiu, com a terceira maior cifra (R$ 2.111) entre todas as capitais do Brasil, R$ 334 acima da média nacional (R$ 1.777, em 2016). A capital capixaba também registrou valor acima da média brasileira (R$ 1.824). Já Belo Horizonte (R$ 1.794) e Rio de Janeiro (R$ 1.731) encerraram o ano um pouco abaixo desse patamar.

Na Região Sudeste, Rio de Janeiro (31%), São Paulo (29%) e Belo Horizonte (28%) apresentaram um nível de comprometimento da renda com dívidas em torno de 30%, patamar considerado adequado pela entidade para não sinalizar risco de elevação da inadimplência. Já Vitória (26%) apresentou alta de 4 p.p. entre dezembro de 2015 e 2016, mas ainda permaneceu abaixo da média das capitais (30%).

Para a assessoria econômica da FecomercioSP, a conjunção de crise econômica e o aumento das incertezas, além da maior seletividade do sistema financeiro e das altas taxas de juros, levaram as famílias a reduzir fortemente a tomada de crédito. Com isso, elas comprometeram o seu consumo de bens duráveis, gerando uma das maiores recessões de vendas na história do comércio varejista. Nesses dois últimos anos, enquanto as operações de crédito no Brasil encolheram 12,2% em termos reais, as taxas médias de juros anuais cresceram 23,1 pontos. Ainda assim, por concentrar a maior renda média do país e grande oferta de crédito, a Região Sudeste mantém elevadas taxa de endividamento e valor médio da dívida das famílias em relação às demais regiões do Brasil.

Ranking Região Sudeste (2016)

1 – Número de famílias endividadas (porcentual)
Vitória/ES – 81.690 (68%)
Rio de Janeiro/RJ – 1.167.089 (52%)
São Paulo/SP – 2.008.394 (52%)
Belo Horizonte/MG – 194.963 (24%)
Total das capitais – 8.868.963 (57%)

2 – Parcela da renda mensal comprometida com dívidas
Rio de Janeiro/RJ – 31%
São Paulo/SP – 29%
Belo Horizonte/MG – 28%
Vitória/ES – 26%
Média nacional – 30%

3 – Valor médio mensal de dívidas por família
São Paulo/SP – R$ 2.111
Vitória/ES – R$ 1.824
Belo Horizonte/MG – R$ 1.794
Rio de Janeiro/RJ – R$ 1.731
Média nacional – R$ 1.777

4 – Porcentual de famílias com dívidas em atraso
Vitória/ES – 32%
Rio de Janeiro/RJ – 25%
São Paulo/SP – 18%
Belo Horizonte/MG – 9%
Média nacional – 23%

5 – Variáveis de crédito
Número de famílias
São Paulo/SP – 3.871.525
Rio de Janeiro/RJ – 2.242.585
Belo Horizonte/MG – 815.212
Vitória/ES – 120.514
Total das capitais – 15.490.539

Renda média (R$)
Vitória/ES – 6.925
Belo Horizonte/MG – 6.424
São Paulo/SP – 7.405
Rio de Janeiro/RJ – 5.597
Média das capitais – 5.859

Massa de rendimentos (R$ mil)
São Paulo/SP – 28.670.508
Rio de Janeiro/RJ – 12.552.200
Belo Horizonte/MG – 5.237.049
Vitória/ES – 834.595
Total das capitais – 90.756.900

Participação da massa de rendimentos no total Brasil (%)
São Paulo/SP – 11,2%
Rio de Janeiro/RJ – 4,9%
Belo Horizonte/MG – 2%
Vitória/ES – 0,3%
Total das capitais – 35,3%

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