Hábito de comprar produtos piratas permanece em BH

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O Dia Nacional de Combate à Pirataria é celebrado no próximo domingo, dia 3 de dezembro. A intenção é alertar a população sobre os prejuízos provocados por essa prática recorrente no Brasil e em outros lugares do mundo, mas que, mesmo assim, tem se mantido como parte da cultura nacional. Em Belo Horizonte, por exemplo, pesquisa elaborada pela área de Estudos Econômicos da Fecomércio MG revela que 61% dos consumidores já compraram esse tipo de artigo, sendo que a última aquisição ocorreu nos últimos 12 meses, em 41% dos casos. Para a maioria (83,2%), o preço mais baixo é a principal justificativa.

O estudo tem o objetivo de analisar a disposição do cidadão para adquirir esses itens, bem como sua avaliação em relação a eles. E, a partir de então, contribuir para a mudança desse cenário. “Na atual conjuntura econômica, principalmente com o alto desemprego e a queda na renda, é perceptível um aumento da oferta de produtos falsificados ou que violam, de alguma forma, as leis de propriedade intelectual e direitos autorais. Ao longo dos anos, na tentativa de economizar, as famílias têm recorrido a itens cujos valores são mais baixos e que, em muitos casos, tem origem incerta”, observa o economista da Federação, Guilherme Almeida.

No entanto, ele destaca que grande parte dos clientes não percebe claramente os impactos negativos dessa escolha, tanto para si mesmo quanto na estrutura das empresas e, consequentemente, no mercado formal. “A estimativa do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) é de que as perdas dos setores empresariais e dos governos federal, estadual e municipal geradas pela so¬negação fiscal representam, aproximadamente, R$ 115 bilhões ao ano. Além disso, a vítima pode ser o próprio consumidor, que é lesado com uma compra de baixa qualidade e sem qualquer garantia”, reforça.

Nesse sentido, o levantamento da Fecomércio MG mostra que, enquanto grande parte dos belo-horizontinos entende que a pirataria prejudica o fabricante ou o artista (93,3%), alimenta a sonegação de impostos (90,1%) e prejudica o faturamento do comércio (87,6%), quase a metade (44,5%) deixa de associá-la ao desemprego, e 71,4% não acreditam que baixar filmes, músicas e jogos da internet seja crime, em caso de uso pessoal. No entanto, quem compra produtos piratas pode responder por receptação, infração prevista no artigo 180 do Código Penal.

Os CDs e DVDs estão no topo da lista de preferências entre os artigos ilegais, sendo os mais procurados por 65,2% dos entrevistados. Na sequência, aparecem roupas (18,9%), relógios (11,5%), bolsas e mochilas (11,1%), calçados (8,6%) e brinquedos (7,8%). Adquirir itens piratas fez parte, principalmente, do cotidiano dos homens (47,8%) e dos jovens de 16 a 24 anos (50,6%) nos últimos 12 meses. Por regiões, o maior consumo ocorreu entre os moradores das regionais Oeste (60,9%) e Nordeste (50%) da capital.

Em relação às pessoas que não fazem uso desses produtos, os principais motivos apontados foram a qualidade ruim (43,6%) e a falta de garantia (17,9%). Além disso, 85,5% dos clientes afirmaram ter se frustrado após a compra de um item pirateado. “Por tudo isso, ainda falta efetividade às campanhas realizadas na tentativa de combater o problema. A pirataria é um costume que está enraizado na cultura do brasileiro e é um desafio alterá-lo. As soluções passam pela conscientização, mas também pela redução da carga tributária e da informalidade”, conclui Almeida.

Foto: Marcello Casal Jr/ABr

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