Selic cai ao menor nível da história

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Usada como referência para a concessão de crédito às pessoas físicas e jurídicas, a taxa Selic chegou ao menor patamar desde 1986, quando o Banco Central iniciou a série histórica. Anunciado ontem (dia 06/12), o décimo corte seguido autorizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) fez a taxa básica de juros recuar para 7% ao ano, 0,5 pontos percentuais (p.p.) abaixo do percentual estabelecido em outubro.

A taxa Selic é utilizada para financiamentos no mercado interbancário em operações de curtíssimo prazo, lastreadas em títulos públicos federais, listados e negociados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Ela serve também de parâmetro para outras taxas de juros da economia. Ao aumentá-la, o Banco Central busca segurar o excesso de demanda que pressiona os preços, e, por consequência, encarece o crédito e estimula os investimentos no mercado financeiro. Ao reduzi-la, o governo tende a deixar o crédito mais barato, incentivando a produção e o consumo.

O economista da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, ressalta que a taxa básica de juros caiu mais da metade em pouco mais de dois anos. “Em julho de 2015, a Selic atingiu 14,25%, o maior percentual da série histórica, também registrado em 2006. Agora, o índice chegou a 7%. Trata-se de um corte vigoroso, com consequências para as famílias, as empresas e o governo.”

Efeitos ao consumidor

Segundo Almeida, os consumidores deverão esperar um pouco para sentirem o impacto do corte da taxa básica de juros. Isso porque o custo das operações de crédito bancárias não se limita à Selic. “A diferença entre o percentual anunciado e os juros cobrados pelos bancos para a concessão de crédito é significativa, pois envolve fatores como os custos administrativos; o lucro da própria instituição; o nível de inadimplência, que ainda continua alta; e, consequentemente, o risco da operação”, explica Almeida.

Almeida destaca que quanto mais a taxa básica de juros cair, mais barato se torna o crédito em médio prazo, fato positivo para o consumo, principalmente, de bens duráveis, e que necessitam de maiores condições de financiamento.

Crédito para as empresas

A queda da Selic deve tornar o crédito mais barato também aos empresários. A tendência, segundo Almeida, é que as empresas alavanquem sua produção, pois o percentual mais baixo muda o comportamento dos grandes investidores. “Neste cenário, eles são estimulados a trocar seus investimentos no mercado financeiro pelo fomento à atividade produtiva. Assim, realocam o dinheiro em ações com impacto na economia real, incentivando a geração de novos empregos e renda.”

Dívida pública tende a cair

O governo, assim como os consumidores e os empresários, se beneficia com a queda da Selic. A redução diminui os juros da dívida pública, pois a taxa básica serve de parâmetro para esse débito. Apesar de a União se beneficiar da medida, o novo percentual pode ter efeito contrário nas contas federais. “O governo pode entender que a redução do custo da dívida o permite aumentar o nível de endividamento, gerando mais gastos ao invés de economia”, finaliza Almeida.

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