As mudanças na forma de consumo de bens e serviços têm tornado incerto o futuro dos negócios mais tradicionais. No Brasil, por exemplo, as pessoas passam 90% do tempo livre com o celular em mãos, segundo informações da IBM, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Por isso, cada vez mais, empresários buscam empreender esforços para customizar produtos, prevenir falhas e autogerenciar processos.

No intuito de aumentar a competitividade e entender o desejo do consumidor, várias corporações têm adotado novos processos, como a inteligência estratégica. Restrita apenas à captação de dados até o final dos anos 70, ela foi adaptada na medida em que seu uso se estendeu para além de ambiente governamental e das forças armadas.

O professor do MBA em Gestão da Comunicação Empresarial da Aberje, Rodrigo Cogo, explica a evolução dos métodos usados nessa técnica. “Na década de 80, a inteligência estratégica incorporou a análise setorial. Nos anos 90, ela trouxe o estudo do processo de tomada de decisão e seus impactos sobre os resultados corporativos. Em seguida, veio com a análise do comportamento humano e seu impacto sobre a geração e a circulação da informação.”

A inteligência estratégia exige um processo contínuo dentro das empresas. A técnica faz com que o profissional que atua nessa área analise dados de maior complexidade e estabeleça relações e conexões, de forma a gerar inteligência para a organização, na medida em que cria estratégias para cenários futuros e possibilita a tomada de decisão de maneira mais segura e assertiva, evitando que as organizações sejam surpreendidas.

No caso dos setores de comércio e serviços, a inteligência estratégica busca analisar desde informações brutas – como pesquisas, comportamento do mercado, legislação, dados econômicos, hábitos do consumidor – até as informações internas – como receita, recursos e investimentos. Elas ajudam gestores a embasar decisões, identificar oportunidades, reduzir custos e perdas, além de mapear pontos fortes e fracos da própria empresa e de seus concorrentes. Esse conjunto de ações visa não só aumentar a lucratividade, como melhorar a eficiência dos processos e a sustentabilidade do modelo de negócios, criando uma visão em longo prazo.

Em virtude disso, o professor defende o uso da inteligência estratégica no meio empresarial. “Devemos melhorar nossa capacidade de estabelecer uma imagem autêntica da realidade e, sobretudo, de antever como ela pode afetar o futuro da companhia”, adverte. Atualmente, a maioria das empresas toma decisões de acordo com fatos já ocorridos. Essa antecipação de situações baseada na identificação de tendências do mercado, sinais – como anomalias e incertezas – e megatendências permite a criação de cenários capazes de apontar as oportunidades e riscos que as corporações pode correr.

Desenvolvendo inteligência

Há várias formas de as empresas fomentarem a inteligência estratégica. A busca por notícias de domínio público é uma delas. Mas, a grande oferta de informações, principalmente na internet, desperta a necessidade de combinar tais eventos e analisar a importância estratégica de cada informação. É o que fazem algumas empresas, que desenvolvem softwares de inteligência artificial e Big Data, promovendo a gestão de um conjunto de informações estruturadas ou não.

Outra forma de desenvolver essa habilidade é por meio de processos de interação, como entrevistas, parcerias e análises comparativas de desempenho. “A inteligência estratégica é um processo cíclico e interativo, que, embora se alimente de informação, busca identificar lacunas de conhecimento e captar sinais do mercado para reduzir incertezas e aproveitar oportunidades. Ela projeta o futuro, mas sem deixar de rever o passado”, considera Rodrigo Cogo.

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