Encontro de gerações no ambiente de trabalho

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Janaina Ribeiro, coordenadora de Recursos Humanos da Fecomércio MG

Muito se tem falado, nos últimos anos, das características das gerações Baby Boomers, X, Y e Z. Especialmente no ambiente organizacional, há uma preocupação permanente a respeito de possíveis conflitos. É importante ressaltar, no entanto, que existem, sim, grandes diferenças entre elas. Ao mesmo tempo, a convivência e o bom relacionamento não dependem de “rótulos”. Conhecer cada perfil pode auxiliar os gestores e profissionais de Recursos Humanos a integrar uma equipe composta de múltiplas gerações e, principalmente, gerar aprendizados a partir desse encontro.

Os Baby Boomers são a geração que nasceu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, entre os anos de 1946 e 1964. Entre suas características estão a valorização extrema do emprego. Ou seja, o importante é se manter, pelo maior tempo possível, na mesma empresa, independentemente de prestígio, promoções ou conhecimento. O valor estaria em conquistar bens materiais e tranquilidade financeira.

Logo depois dos Baby Boomers surgiu a chamada geração X, nascida entre o início da década de 1960 e final da década de 1970. Movidos por novas oportunidades, reconhecimento e desafios, seus integrantes iniciaram a busca por direitos, começaram a questionar a estabilidade como algo prioritário e despertaram interesse pela inovação. O conhecimento e a possibilidade de crescimento profissional ganham destaque entre esse grupo, assim como a procura por trabalhos mais atrativos, que agreguem valor à vida pessoal. Dessa forma, grandes empreendedores se formaram nesse grupo.

Já a geração Y ou Millennials, nascida entre o início da década de 1980 e os primeiros anos da década de 1990, é marcada pela valorização da autonomia, do reconhecimento profissional, da autenticidade e do sucesso pessoal. A partir dela, se amplia também a visão da importância das diferentes esferas sociais, como o respeito à diversidade racial e de gêneros, além do cuidado com o meio ambiente.

Existem, ainda, os “nativos digitais”, termo criado por Marc Prensky para se referir aos nascidos e criados numa era em que a tecnologia está fortemente presente no dia a dia, e se faz extremamente necessária para o desenvolvimento humano, organizacional e mundial. Também conhecidos por geração Z, essa é a turma mais “fechada” de todas e, por esse motivo, se notabiliza pela falta de proximidade com o outro, pela dificuldade de ser ouvinte e pela preferência em usar os meios digitais para se comunicar.

Diante desse cenário de múltiplos comportamentos, valores, experiências e preferências, como se dará a convivência e o bom relacionamento em um mesmo ambiente profissional? Esse encontro é, inegavelmente, um desafio para os gestores e as organizações. Contudo, se levarmos em consideração que essa diversidade pode estimular a troca de experiências e o aprendizado, há muito mais benefícios que dificuldades.

Assim, é importante saber reconhecer e valorizar o melhor de cada geração para proporcionar o intercâmbio de aprendizado entre os diferentes perfis. As pessoas das gerações Baby Boomers e X conhecem melhor o mercado e detêm mais informações sobre a cultura organizacional. Elas podem, por exemplo, passar essa “bagagem” aos mais jovens e facilitar a adaptação.

Já a criatividade e o espírito empreendedor aguçado da geração Y são capazes de gerar maneiras diferentes e mais eficazes de resolver problemas, até porque esse grupo possui mais flexibilidade e facilidade de adequação às mudanças. A geração Z, por sua vez, pode contribuir de forma significativa nas questões tecnológicas por possuir muito conhecimento e habilidade para lidar com o mundo digital.

Portanto, é preciso desmistificar a ideia de que diferentes gerações não poderão trabalhar em equipe, e deixar claro que os “rótulos” servem apenas para indicar determinadas características. Não é possível definir que um tipo é melhor ou mais difícil que o outro. Pelo contrário. É fundamental, para quem trabalha na área de Recursos Humanos, estimular a interação e a boa convivência num cenário de diversidades.

* Artigo publicado no Portal Mundo RH

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