Dinâmica econômica do Alto Paranaíba

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Com a segunda menor população do Estado e 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, o Alto Paranaíba é o quarto território contemplado na série de estudos, realizada pela Fecomércio MG, que traça o perfil econômico das empresas do setor varejista das dez regiões de planejamento estaduais. O levantamento revela que a maioria dos estabelecimentos que atuam na atividade são microempresas (73%), prevalecendo o segmento de supermercados, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (24,3%). Também se destacam os ramos de tecidos, vestuário e calçados (21%), assim como de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (18%). A maioria (58,7%) tem de 10 a 50 anos de atuação no mercado.

Nesse cenário, a análise mostra que os empresários do Alto Paranaíba, assim como nas outras regiões já pesquisadas, sentiram os impactos negativos da crise econômica. Os reflexos prejudicaram os negócios para 71% dos entrevistados, com destaque para a queda na receita de vendas (90,5%), aumento da inadimplência (7%) e redução do fluxo de clientes (3,9%). Ainda assim, os investimentos foram mantidos por 91% das lojas. Nos últimos 12 meses foram destinados recursos para publicidade e propaganda (73,5%), segurança (72,8%), tecnologia da informação (69,8%), capacitação de funcionários (69%) e logística (58,3%).

O economista da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, ressalta que esse resultado indica que as empresas estão atentas às mudanças do mercado e, consequentemente, à necessidade de não paralisar investimentos em um setor tão concorrido. “Isso é imprescindível para manter a competitividade. Chamam a atenção, no entanto, os gastos com segurança, que acabam obrigando o empresário a reduzir os aportes em qualificação, mix de produtos e inovação”, avalia.

Por sua vez, a atuação no comércio exterior ainda é baixa: apenas 7,5% das empresas do Alto Paranaíba participam desse nicho, sendo que 86,7% destas trabalham com a importação de bens de outros países. O motivo para a baixa adesão, embora a região seja importante exportadora em outros setores, é a falta de interesse/necessidade (34,71%) e o fato de os proprietários julgarem que a loja ainda é pequena ou nova no mercado (21,31%). “Abrir as portas ao comércio global gera market share e amplia a competitividade, pois diversifica as formas de atuação. No entanto, essa questão é pouco explorada nas empresas mineiras”, argumenta Almeida.

Com relação aos entraves ao setor, 20,8% dos varejistas locais apontaram a elevada carga tributária do país como a principal dificuldade para o desenvolvimento do comércio. A economia informal foi citada por outros 19,8%. “A pesquisa apresenta uma confirmação clara da solicitação de todos os empresários pela redução do volume de impostos, que prejudica os investimentos, a competividade e a própria sobrevivência dos negócios, especialmente os pequenos”, ressalta o presidente do SindComércio de Patrocínio, Wander Júnior de Carvalho.

Ele acrescenta que sindicatos e Federação devem ter esses dados como base para serem agentes de mudança. “O estudo oferece subsídios para a definição de estratégias comerciais pelos empresários – porque identifica potencial e tendências da região, IDH, entre outros itens – e para ações junto ao poder público que possam fortalecer o comércio já existente e impulsionar os novos negócios, como a simplificação e a redução dos impostos”, conclui Carvalho.

Além do Alto Paranaíba, a Fecomércio MG já traçou o perfil econômico das empresas do setor varejista das regiões do Rio Doce, Triângulo Mineiro e Sul de Minas.

Foto: Alair Vieira/ ALMG

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