Comércio sente efeitos da paralisação da atividade mineradora

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A ruptura das barragens de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, deixaram mais do que perdas ambientais e humanas. Os eventos ocorridos em 2015 e 2019, nesta ordem, causaram graves problemas à economia das cidades que dependem da atividade mineradora em Minas Gerais, afetando indiretamente outros setores. É o que mostra a análise “Impactos da Mineração”, elaborada pela Fecomércio MG.

A pesquisa de opinião buscou captar a percepção de 480 empresários do comércio varejista a respeito da atividade mineradora, seu papel no desenvolvimento local e sua influência para os estabelecimentos comerciais. A amostra contou com empresas das cidades de Brumadinho, Congonhas, Itabirito, Mariana, Nova Lima, Ouro Preto e Sarzedo, todas na Região Central do Estado.

Para 92,3% dos entrevistados, o desempenho do comércio local depende das atividades relacionadas à mineração, sendo 40,79% totalmente dependentes dos ganhos proporcionados por esse setor. Os demais necessitam parcialmente da mineração para manterem seus negócios. Além disso, 92% acreditam que a atividade contribuiu muito ou em parte para o desenvolvimento de seu município.

A presidente interina da Fecomércio MG, Maria Luiza Maia Oliveira, avalia que a mineração cumpriu – e cumpre – um papel essencial ao crescimento dessas cidades e do Estado, mas faz ressalvas. “Os municípios onde há extração de minérios não podem ficar dependentes desse setor. É preciso investir mais em outros potenciais econômicos nessas regiões, como o turismo.”

A pesquisa também perguntou aos empresários sobre alternativas para os municípios, que não a mineração. Para 41% dos entrevistados, essas cidades possuem outras vocações para geração de emprego e renda, com destaque para as atividades ligadas ao turismo cultural e ecológico.

De acordo com o economista-chefe da Federação, Guilherme Almeida, Minas Gerais não aproveitou o boom das commodities minerais, ocorrido no fim da década passada e início da atual. “As cidades mineradoras não diversificaram sua matriz econômica, e, hoje, parte delas enfrenta problemas com a queda na arrecadação do Cfem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) por causa da paralisação dessa atividade.”

A interrupção dos trabalhos de mineração tem, de fato, causado transtorno ao comércio varejista nesses locais. Segundo 80,6% dos empresários, seus estabelecimentos registraram queda no fluxo de consumidores. O movimento diminuiu muito para 42,1% dos entrevistados, enquanto para 38,5% a procura de clientes pelas lojas caiu, mas de forma menos acentuada. Já o fluxo de turistas recuou 68,7%, na percepção dos varejistas locais.

Diante desse cenário, 73,5% acreditam que a continuidade da atividade mineradora nesses locais poderá contribuir, de forma mais intensa ou não, para a melhora da economia e, por consequência, dos estabelecimentos comerciais. Essa possibilidade moveu um percentual similar (75,2%) a se posicionar contra a paralisação da mineração em cidades como Brumadinho.

“Por mais que essas cidades possuam outras matrizes econômicas, a renda proveniente delas é, muitas vezes, volátil. É preciso encontrar novas alternativas para que a população não seja penalizada duas vezes: primeiro com a ruptura das barragens, depois com suas consequências, que vão desde a paralisação de serviços mineradores ao esvaziamento do turismo e comércio locais”, finaliza Almeida.