A possibilidade de o Brasil mergulhar em uma nova recessão técnica – quando o Produto Interno Bruto (PIB) recua por dois semestres seguidos – foi afastada nessa quinta-feira (29/08). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse indicador expandiu 0,4% no 2º trimestre, revertendo a queda de 0,1% nos três primeiros meses do ano. Em valores correntes, o PIB desse período representa R$ 1,780 trilhão.

Soma de todas as riquezas produzidas pelo país, o Produto Interno Bruto também indica a evolução da economia. Apesar do resultado positivo, esse percentual, visto de forma mais ampla, reforça a dificuldade do país em retomar os níveis registrados no 1º trimestre de 2014. De lá para cá, a atividade econômica brasileira encolheu 4,8%, permanecendo em patamares similares há sete anos.

Ainda assim, o resultado foi o melhor para segundos trimestres desde 2013 (2,3%), superando a desconfiança do mercado em relação a uma nova recessão técnica. Em razão disso, a gerente de contas trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, adotou cautela ao comentar o percentual. “Não dá para afirmar que há recuperação, precisamos de um período maior de análise.”

O PIB por setores

Pela ótica da produção, dois setores foram determinantes para a melhora do PIB. O primeiro foi a indústria (0,7%), que se recuperou da recessão técnica após registrar dois trimestres seguidos de queda. A reação foi puxada pelas indústrias de transformação (2%) e pela construção civil (1,9%). O segundo foi a expansão dos serviços (0,3%), com destaque para o crescimento das atividades imobiliárias (0,7%), do comércio (0,7%) e de informação e comunicação (0,5%).

Por outro lado, a agropecuária caiu 0,4% nesse período. O setor foi afetado pela piora no desempenho das safras de soja e café, dois dos cinco principais produtos agrícolas brasileiros. No mesmo período do ano passado até os últimos três meses do primeiro semestre, a agropecuária registrou quatro trimestres de PIB negativo, contra apenas um positivo (1,6% no 1º trimestre de 2019).

O PIB por demanda

Já pela ótica da despesa, o consumo familiar (+0,3%) completou um ano seguido em crescimento. “Determinante para o PIB, o consumo tem sido influenciado pelo comportamento de alguns indicadores macroeconômicos, como o aumento da massa salarial real, o avanço do saldo de operações de crédito, a queda nos juros básicos, a inflação controlada e a recuperação, ainda que gradual, do emprego”, analisa a economista da Fecomércio MG, Bárbara Guimarães.

A taxa de investimento também avançou (3,2%) após dois recuos consecutivos. “A melhora desse item é um sinal de que empresários e investidores estão mais confiantes em relação ao futuro da economia brasileira. Por consequência, mais propensos a investir em atividades produtivas”, observa Bárbara. No entanto, a piora de 1% no consumo do governo impediu um quadro ainda melhor.

Investimentos e perspectivas

Outro resultado animador coube à Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). O indicador, que mede o volume de investimento produtivo na economia, expandiu 3,2% no período, após dois períodos de queda. O principal responsável por essa mudança foi o segmento de construção civil, que responde por cerca de 50% da FBCF, segundo a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque.

Mesmo com esse desempenho, a taxa de investimento no 2º trimestre de 2019 fechou equivalente a 15,9% do PIB. O valor está acima do observado no mesmo período do ano anterior (15,3%), mas baixo do período pré-recessão. No final de 2013, a taxa atingiu o patamar de 20,9% das riquezas produzidas pelo país.

Segundo Bárbara, uma série de fatores devem influenciar as próximas parciais do PIB. “O impacto de medidas como a liberação do FGTS e do PIS/Pasep e a perspectiva de aprovação da pauta reformista podem contribuir para que o PIB feche perto de 1%. Entretanto, com o acirramento da guerra comercial entre China e Estados Unidos e os rumores de uma nova recessão global, essa melhora pode se tornar mais tímida do que o esperado”, conclui.

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