PIB de Minas Gerais recua 0,7% no 2º trimestre

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Os sinais de melhora na atividade econômica brasileira, captados pela expansão de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no 2º trimestre, não se refletiram em Minas Gerais. De acordo com a Fundação João Pinheiro (FJP), a soma das riquezas produzidas pelo Estado, nesse período, retraiu 0,7% na série com ajuste sazonal. Os dados divulgados pela instituição nessa quarta-feira (11/09) mostraram que o PIB mineiro ficou estimado em R$ 155,8 bilhões entre abril e junho passado.

A variação negativa foi puxada, principalmente, pela paralisação de uma parte da atividade mineradora no Estado em virtude do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho. O evento, ocorrido em janeiro, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), levou a indústria extrativa estadual encolher 22,2% no 2º trimestre em relação aos três primeiros meses do ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda atingiu 42,6%.

Um recorte das consequências dessa paralisação para a economia já havia sido mostrado, recentemente, pela pesquisa “Impactos da mineração”, da Fecomércio MG. Para 92,3% dos empresários do comércio que possuem negócios em cidades mineradoras da Região Central do Estado, incluindo Brumadinho, o desempenho do comércio local está sujeito às atividades relacionadas à extração mineral.

Nessas cidades, o grau de dependência do setor terciário em relação à mineração colaborou para que a produção de serviços em Minas Gerais também variasse negativamente. No 2º trimestre, a queda para esse grupo foi de 0,4%, resultado inferior ao registrado no país, onde o setor expandiu 0,3% na comparação com os três primeiros meses do ano.

O economista-chefe da Federação, Guilherme Almeida, avalia que o recuo de 0,7% do PIB em um só trimestre demonstra quão significativa foi a perda de recursos tanto para economia quanto para as cidades e o governo. “Mesmo com o incremento de 5,9% na agropecuária mineira, o PIB estadual recuou de forma considerável, um reflexo da queda na produção mineradora, que representa 8% da matriz econômica do Estado, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração”, quantifica.

Além da agropecuária, apenas os setores de construção civil e indústria de transformação avançaram no 2º trimestre em Minas Gerais. As atividades melhoraram 2% e 0,3%, respectivamente, em relação ao trimestre anterior e 2,6% e 1,5%, nesta ordem, se comparado ao período de abril a junho de 2018.

Sob outro ponto de vista

Já quando observado o PIB acumulado em 12 meses, os resultados trazem outra perspectiva. Nesse período, o indicador cresceu 0,6% no Estado, refletindo a retomada da economia mineira, embora ainda lenta e gradual. “A injeção de recursos extras em 2018, a inflação e os juros sob controle e a expectativa por mudanças elevaram a confiança do empresário, que torce pela aprovação das reformas estruturais para voltar a investir em Minas e no país. No entanto, especialmente no Estado, temos muitas frentes a ser trabalhadas. A recuperação, que já era fraca, perdeu um pouco da sua intensidade”, frisa Almeida.

Na comparação com o acumulado em 12 meses no Brasil, o PIB mineiro ficou 0,4 pontos percentuais (p.p.) abaixo do resultado nacional, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os fatores que colaboraram para o desempenho inferior à média do país está a grave situação fiscal de Minas. Com dificuldades financeiras, o governo vem parcelando os salários de servidores, que têm comprado menos, desaquecendo, assim, a economia mineira.

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