Taxa Selic atinge 5,5% e registra mínima histórica

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Menos de dois meses após reduzir a taxa Selic ao menor patamar da história, o Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a cortá-la em 0,5 ponto percentual (p.p.). Com o anúncio, feito nessa quarta-feira (18/09), a taxa básica de juros atingiu 5,5%, o menor patamar desde 1986, quando o Banco Central iniciou a série histórica. Esse instrumento da política monetária é usado como referência para a concessão de crédito às pessoas físicas e jurídicas em todo o país.

Em comunicado oficial, os membros do Copom reiteraram que a inflação próxima ao centro da meta (4,25%) permitiu um novo ajuste na taxa Selic. No entanto, segundo os integrantes do Comitê, a manutenção ou a redução dos juros básicos em longo prazo depende dos avanços na tramitação das reformas estruturais. “Perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia”, escreveram.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, destaca o efeito positivo da medida. “A Selic ajuda a balizar o consumo e o investimento no Brasil, servindo de parâmetro para outras taxas de juros. Dessa forma, ao aumentá-la, o Banco Central busca segurar o excesso de demanda, que pressiona os preços, encarece o crédito e estimula os investimentos no mercado financeiro. Ao reduzi-la, ele barateia o crédito, incentivando a produção e o consumo”, explica.

Os cortes recentes na taxa básica de juros se somam a outros tantos, iniciados em 31 de agosto de 2016. Na época, a Selic estava definida em 14,25%, o maior patamar registrado desde 19 de julho de 2006, quando o índice atingiu 14,75%. “Ainda que não tenha sido suficiente para garantir um crescimento mais vigoroso à economia brasileira, a queda nos juros básicos tem tido consequências positivas para as famílias, as empresas e o governo”, analisa Almeida.

Benefícios ao consumidor

Entre as boas novas trazidas pelo corte de 0,5 p.p. na Selic está o estímulo ao consumo em médio prazo, sobretudo de bens duráveis. Isso porque o custo das operações de crédito bancárias não se limita à taxa básica de juros. “A diferença entre esse indicador e os juros cobrados na concessão de crédito bancário é significativa, pois envolve fatores como os custos administrativos, o lucro da instituição, o nível de inadimplência e o risco da operação”, explica o economista.

Crédito para a produção

A redução dos juros básicos deve baratear o crédito também aos empresários. Segundo Almeida, a tendência é que a Selic menor faça o grande investidor ter mais confiança para realocar parte dos seus recursos em ações com impacto na economia real, como investimentos em infraestrutura. “Isso não só incentiva a geração de novos empregos e renda, como favorece a indústria, que está com elevada capacidade ociosa, e o comércio, por meio do aquecimento do consumo.”

Melhora nas contas do governo

Se os consumidores e o setor produtivo se beneficiam das mudanças, o mesmo se pode dizer do governo. Como serve de parâmetro para a dívida pública, a queda na Selic ajuda a reduzi-la, melhorando a situação de Estados como Minas Gerais, em grave situação fiscal. “O governo só não pode entender a redução do custo da dívida como um sinal verde para aumentar o nível de endividamento, gerando mais gastos ao invés de economia”, alerta Almeida.

Novos cortes na Selic?

De acordo com instituições financeiras consultadas pelo Banco Central, espera-se que a taxa Selic caia mais 0,5 p.p. em outubro, atingindo 5% ao ano. Contudo, a previsão é que, após esse corte, ela se mantenha estável até o fim de 2019.

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