Violência em supermercados de BH dispara em 2019

Página Inicial / Notícia / Economia / Violência em supermercados de BH dispara em 2019
Após uma redução no ano passado, a violência em supermercados da capital mineira voltou a expandir em 2019. A percepção dos empresários da área foi captada pela pesquisa “Vitimização do Segmento Supermercadista”, realizada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Belo Horizonte (Sincovaga BH), em parceria com a Fecomércio MG. De acordo com a análise, nos últimos 12 meses, 68,1% dos estabelecimentos registraram algum tipo de violência, índice mais alto dos últimos quatro anos.

Em 2018, segundo dados da pesquisa, 32,4% dos supermercados da capital mineira foram cenário de algum tipo de crime. Se comparados os dois períodos, as ocorrências em estabelecimentos do segmento mais que dobraram, representando um aumento de 35,7 pontos percentuais (p.p). Além disso, só neste ano, 61,8% das ocorrências registradas foram de assaltos à mão armada a comerciantes e 11,3% a clientes. Outros crimes como furtos à loja (9,6%) e aos comerciários (6,5%) aparecem logo na sequência.

Em virtude desse cenário, 47% dos entrevistados mudaram alguma rotina no estabelecimento nos últimos 12 meses. A principal foi a alteração do local de armazenamento dos objetos de valor, apontada por 35,5% dos empresários. Outros 21,8% modificaram o horário de funcionamento do supermercado. Além disso, 70% afirmaram investir até 5% do seu faturamento em segurança. Entre os itens mais utilizados estão: circuito interno de TV (49,1%) e alarmes (22,3%).

O presidente do Sincovaga BH, José Luiz de Oliveira, ressalta que, por movimentar valores significativos, o setor supermercadista se tornou mais visado. “Diante desses fatos, os empresários precisam adotar medidas preventivas, como a contratação de fiscais e a instalação de sistemas com câmeras de segurança, inibindo, assim, a atuação dos criminosos”. Ele também acredita que as lojas de médio e grande porte estão investindo mais em carros-fortes para o recolhimento de valores e na instalação dos cofres inteligentes.

A estatística da Fecomércio MG, Letícia Marrara, lembra que a pesquisa busca auxiliar todo o segmento supermercadista de Belo Horizonte a promover práticas que evitem ou reduzam a ocorrência de crimes nesses estabelecimentos. “A análise também serve de base para a elaboração de projetos e pesquisas em outras atividades, ajudando à sociedade a cobrar por políticas públicas que solucionem a questão e proporcionem mais segurança à população”, explica.

Percepção de insegurança

A sensação de aumento da criminalidade em Belo Horizonte acompanhou a tendência mostrada em relação à violência nos supermercados. Entre os entrevistados, 46,2% percebem a cidade mais insegurança em 2019. Outros itens que reforçam essa impressão foram o aumento das tentativas de furto a carteiras ou bolsas (53,3%), assaltos à mão armada na rua (49,4%) e assaltos à mão armada no ônibus (45,4%).

Para combater a violência na cidade, Oliveira pede ações mais ostensivas das autoridades. “Precisamos de mais viaturas e patrulhamento próximo às lojas, pois a presença da polícia inibe a ação dos criminosos”. Ele também alerta para o avanço de ocorrências envolvendo empregados até a chegada ao trabalho, fato que leva, inclusive, ao abandono do emprego. “Como a maioria dos funcionários do segmento mora longe dos supermercados, eles precisam chegar mais cedo ou sair tarde, expondo essas pessoas a assaltos nesse trajeto”, comenta.

Entre as regiões da capital mineira com maiores índices de violência a estabelecimentos do segmento estão Norte (77,4%), Venda Nova (71,1%) e Leste (70,4%). Já as regiões da Pampulha (60,5%) e Centro-Sul (60%) apresentaram os menores indicadores.

Metodologia da análise

A pesquisa “Vitimização do Segmento Supermercadista” ouviu 432 empresas do segmento em Belo Horizonte, entre 12 de agosto e 4 de setembro deste ano. A margem de erro da análise é de 5%, com intervalo de confiança de 95%.

Postagens Recentes