Mais da metade dos belo-horizontinos compra produtos piratas

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Celebrado no dia 3 de dezembro, o Dia Nacional de Combate à Pirataria visa alertar a população sobre os riscos e prejuízos provocados por essa prática recorrente no Brasil e em outros lugares do mundo, mas que ainda se mantém presente na cultura brasileira. Uma pesquisa da Fecomércio MG, realizada com consumidores de Belo Horizonte, reforça a importância da data, ao comprovar que 61,8% já compraram esse tipo de artigo, percentual estável em relação ao ano passado (61,8%). Os preços mais baixos continuam sendo o principal atrativo, conforme justificam 84,3% dos entrevistados.

A análise visa verificar a disposição do consumidor para adquirir esses itens, bem como sua avaliação sobre tais produtos, contribuindo para a mudança desse cenário. “Ao longo dos anos, a população tem recorrido à pirataria com a justificativa de alternativa mais barata para presentear ou para consumo próprio de determinados produtos, na tentativa de economizar. Como consequência, as famílias têm recorrido a itens cujos valores são mais baixos, porém possuem origem incerta”, explica o economista-chefe da Federação, Guilherme Almeida.

No entanto, ele destaca que grande parte dos clientes não percebe claramente os impactos negativos dessa escolha, tanto para si mesmo quanto na estrutura das empresas e, consequentemente, no mercado formal. A pesquisa aponta que 31,9% afirmaram ter consumido algum produto pirata nos últimos 12 meses. “Observamos a manutenção dessa tendência no comportamento do consumidor, se compararmos com 2018, onde 31,3% afirmaram ter comprado produtos piratas. Precisamos acompanhar se essa trajetória se repetirá nos próximos anos para confirmar a queda efetiva do consumo de pirataria”, pondera Almeida.

Segundo a pesquisa, a grande maioria dos consumidores (64,3%) alega ter se frustrado com a compra de algum item ilegal. Porém, a procura continua grande. Os CDs e DVDs estão no topo da lista de preferências, sendo os escolhidos por 67,4% dos entrevistados. Na sequência, aparecem eletrônicos (23,6%); relógios (7,3%); bolsas, mochilas, roupas e outros (6,2%); calçados (5,6%); óculos, brinquedos e cigarros (4,5%).

Adquirir artigos piratas fez parte, principalmente, do cotidiano dos homens (44,4%) e dos jovens de 16 a 24 anos (46,9%) nos últimos 12 meses. Por regiões, o maior consumo ocorreu entre os moradores das regiões de Venda Nova (40,7%), Barreiro (40,0%), Noroeste (38,5%), Pampulha (38,1%), Leste (36,6%), Nordeste (33,3%), Norte (25,0%), Oeste (20,6%) e Centro-Sul (17,9%) da capital.

Prejuízos

Embora seja crime e provoque diversos danos ao mercado formal e até mesmo aos próprios compradores, grande parte dos consumidores de produtos piratas não percebe claramente os impactos negativos dessa escolha, na avaliação do economista da Fecomércio MG. “Existem perdas financeiras para os setores empresariais e as três esferas de governo, em função da sonegação fiscal. Além disso, a vítima pode ser o cliente, que é lesado com uma compra de baixa qualidade e sem qualquer garantia”, reforça Almeida.

Nesse sentido, o levantamento mostra que a maioria dos belo-horizontinos entende que a pirataria prejudica o fabricante ou o artista (93,5%), alimenta a sonegação de impostos (91,2%) e compromete o faturamento do comércio (89,5%). Mais da metade dos consumidores considera a pirataria como uma causa do desemprego (68,3%) e acredita que não seja crime baixar filmes, músicas e jogos da internet para uso pessoal (47,5%). No entanto, quem compra produtos piratas pode responder por receptação, infração prevista no artigo 180 do Código Penal.

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