O ano começou com a certeza de que haverá nove feriados prolongados ao longo de 2020. As datas agradam muitos brasileiros, que aproveitam o período para viajar e descansar. Só no primeiro semestre, serão seis feriados – isso sem contar as datas comemorativas municipais. Todo esse cenário movimenta a economia e uma série de segmentos ligados ao setor de turismo e serviços em todo país.

Um estudo do Ministério do Turismo mostrou que, em 2019, 13,9 milhões de viagens domésticas aconteceram durante os feriados prolongados, injetando R$ 28,84 bilhões na economia. Entre os destaques estão o feriado de 1° de maio (Dia do Trabalho) – que movimentou R$ 9 bilhões em virtude de 4,5 milhões de viagens feitas no período – e de 12 de outubro (Dia de Nossa Senhora Aparecida), que resultou em 3,24 milhões de viagens, com impacto de R$ 6,7 bilhões ao país.

A analista de turismo da Fecomércio MG, Milena Soares, considera todo esse movimento positivo, pois contribui para o aquecimento da economia, sobretudo nos segmentos que envolvem turismo e serviços. “Podemos observar uma tendência crescente de investimentos nesses setores, que aproveitam os feriados para atrair e fidelizar novos clientes, movimentando toda a cadeia, o que inclui serviços de transporte, hotéis, restaurantes, agências de viagens, guias de turismo, dentre outros.”

Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha, Minas Gerais é um dos destinos preferidos pelos turistas. O estado concentra o maior número de Patrimônios Culturais da Humanidade, título concedido pela Unesco. Ao todo são quatro: Centro Histórico de Ouro Preto; Santuário do Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas); Centro Histórico de Diamantina; e o Conjunto Moderno da Pampulha (Belo Horizonte) – destinos cotados a atrair ainda mais turistas durante os feriados.

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) projeta uma expansão entre 8% e 14% no movimento em anos com muitos feriados. De acordo com a entidade, as pessoas tendem a viajar mais em épocas assim, mesmo que sejam passeios de curta duração ou para destinos turísticos próximos de casa. Essa postura acaba diluindo a demanda no decorrer do ano.

Para não ser surpreendido com os gastos ao fim de cada feriado, o economista-chefe da Federação, Guilherme Almeida, recomenda que o turista planeje bem a sua viagem. “São muitos feriados prolongados e, inevitavelmente, os gastos tendem a ser maiores. Por isso, é preciso definir o roteiro e orçar os custos. São dicas simples como pesquisar sobre o local escolhido, os passeios previstos, o tempo de permanência e o que pretende gastar durante o período”, explica.

Impactos no comércio varejista

O planejamento, aliás, tende a ser a palavra-chave de 2020. Os economistas esperam que, neste ano, a retomada do crescimento da economia do país seja intensificada. De acordo com o boletim Focus, do Banco Central, o Produto Interno Bruto nacional poderá crescer 2,25%. No entanto, a grande quantidade de feriados poderá influenciar setores importantes, como a indústria e o comércio, uma vez que mais folgas diminuem a atividade econômica no Brasil.

O economista-chefe da Federação observa que, para reverter esse cenário, os empresários do comércio podem apostar em ações que atraiam o consumidor que ficará na cidade ou que fará compras antes de viajar. “Um planejamento adequado é uma forte ferramenta para o empresariado transformar os períodos de feriado em oportunidades. Por isso, apostar em divulgações, promoções e descontos são algumas das alternativas para fidelizar o cliente e garantir mais vendas”.

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