Em expansão desde julho do ano passado, o índice apurado pela pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) encerrou o último mês de 2019 com alta de 3,7 pontos percentuais (p.p.), alcançando 91,1 pontos na capital mineira. O indicador, elaborado pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), subiu 7,1 pontos em comparação ao registrado em 2017, quando o índice atingiu 84 p.p.

O resultado de dezembro – o melhor para o semestre – reflete a melhora da confiança do consumidor, principalmente em função do aumento da renda, com a injeção de recursos do 13º salário. Outros fatores como o incremento na geração de empregos, com a abertura de milhares de postos de trabalho temporários; a liberação do saque de recursos do FGTS; e a maior propensão de gastos com as festas de fim de ano também influenciaram o indicador.

A analista de pesquisa da Fecomércio MG, Letícia Marrara, explica que apesar da sequência positiva de resultados, que se estende pelo quinto mês, o valor foi insuficiente para que o índice ultrapasse a fronteira dos 100 pontos, deixando a faixa de insatisfação em termos de consumo. Esse limite, porém, foi superado pelas famílias com renda superior a dez salários mínimos, atingindo 108,4 pontos.

Tradicionalmente, de acordo com Letícia, o segundo semestre tende a apresentar números mais positivos em relação à primeira metade do ano. “Por ser um período onde há contratação de temporários, o índice de emprego atual manteve a tendência registrada no mês novembro, alcançando 118,3 pontos em dezembro,” observa a economista.

Entre os itens que apresentaram crescimento, conforme a pesquisa, estão os subindicadores de emprego atual (118,3); renda atual (106,3); acesso ao crédito (93,5); nível de consumo (69,1); expectativa de consumo (94,8); e consumo de bens duráveis (60,6). Já a perspectiva profissional foi o único item a apresentar queda – de 2,6 pontos, passando de 97,6 para 95,0 pontos em dezembro.

O indicador de acesso ao crédito se destacou na comparação com os demais. Além de registrar expansão de 3,3 p.p. em relação à última análise (90,2), ele superou em 16 pontos o resultado obtido em dezembro de 2018 (77,5). Segundo Letícia, alguns fatores macroeconômicos refletem na melhora desse indicador. “A sensação de retomada da economia e do emprego, embora ainda lenta, e a expectativa em função das novas medidas adotadas pelo poder público garantem a confiança para que o consumidor vá às compras”, detalha.

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Belo Horizonte é um indicador capaz de medir, com precisão, a avaliação que os consumidores fazem sobre a condição de vida de sua família, tais como a capacidade e a qualidade de consumo atuais e de curto prazo, o nível de renda doméstico e a segurança no emprego. A análise, elaborada mensalmente com mil famílias da capital, tem margem de erro de 3,5% e um intervalo de confiança de 95%.

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