Atualizado em 17/03, às 10h30

Quase dois meses e meio após a primeira ocorrência global do novo coronavírus (Covid-19), em Wuhan, na China, a doença chegou em Minas Gerais. Com o caso confirmado nesta segunda-feira (09/03), o Brasil atingiu 264 pacientes com vírus, que, além de danos imunológicos, tem provocado o desaquecimento da economia. Não à toa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em entrevista recente que o surto do Covid-19 pode reduzir o PIB nacional de 0,1% a 0,5% em 2020.

As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de grandes instituições financeiras é que nenhum país fique ileso dos impactos econômicos causados pela pandemia. No caso do Brasil e, principalmente, de Minas Gerais, mercados que tem na China seu melhor cliente, as consequências do surto devem ser ainda mais severas – afinal, o país foi o epicentro da doença.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, lembra que qualquer projeção de crescimento traçada pelo governo ou por órgãos independentes pode sofrer alterações conforme o avanço da Covid-19. No entanto, quatro pilares da economia certamente serão influenciados pela pandemia do novo coronavírus: as exportações, as importações, o PIB e a taxa básica de juros.

Exportações

A China é o maior cliente das exportações brasileiras. Em 2019, o país asiático comprou cerca de 30% de todos os produtos vendidos pelo país ao exterior, com destaque para as matérias-primas essenciais com baixo nível de industrialização (commodities). Entre elas estão a soja, o petróleo e o minério de ferro, um dos principais itens da balança comercial mineira. Juntos, tais produtos responderam por 78% das exportações brasileiras no ano passado.

Entretanto, com cidades em quarentena e diversas fábricas fechadas, a economia da China retraiu, exigindo menos matéria-prima para a produção fabril. “Essa paralisação é bastante danosa à economia do país, especialmente de Minas Gerais, que tem nas commodities minerais e agrícolas a base das suas exportações”, afirma Almeida. Além disso, com a demanda em queda, os preços desses produtos já recuaram significativamente no mercado internacional.

Importações

Se as exportações caíram, as importações sofrem com os efeitos da globalização. É que vários insumos – como componentes de medicamentos e itens para automóveis e eletrônicos – vêm de países afetados pelo novo coronavírus. “Assim, as linhas de produção ficam paradas, gerando desabastecimento nas empresas. A consequência são a redução de jornada, as férias coletivas e o encarecimento dos produtos para o comércio e os consumidores finais”, alerta o economista-chefe.

PIB

Soma de todas riquezas produzidas pelo país, o Produto Interno Bruto (PIB) é diretamente afetado pela balança comercial. “Com a projeção de vendas mais fracas e de insumos em falta, é possível que a tão esperada aceleração da economia brasileira seja mais uma vez adiada”, observa Almeida. O crescimento de 1,1% em 2019 – 1,4 pontos percentuais (p.p) abaixo das projeções iniciais do governo – cresce a pressão e as dificuldades por um ano melhor para o Brasil.

Taxa de juros

No início de fevereiro, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros para 4,25% ao ano, o menor patamar da história. A tendência para os próximos meses, caso a pandemia se prolongue, é que o BC reduza ainda mais a Selic. “Nos Estados Unidos e na Europa, o mercado financeiro aposta na queda dos juros a fim de estimular a economia. O Brasil pode seguir o mesmo caminho, o que, se por um lado incentiva o consumo interno, por outro desestimula o investidor a aplicar recursos no país, devido os juros mais baixos”, pondera o economista-chefe.

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