Pelo quinto mês consecutivo, o endividamento em Belo Horizonte apresentou recuo. O indicador, que faz parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), atingiu 71,7% da população em fevereiro, contra 72,8% em janeiro. Esse percentual é 4,7 pontos menor que o alcançado no mesmo período do ano passado. Já a inadimplência, que atesta quem não terá condições de honrar as dívidas contraídas, recuou 1,2 pontos percentuais (p.p.), passando de 29,3% em janeiro para 28,1% em fevereiro.

Elaborada pela Fecomércio MG, a Peic se baseia em dados mensais fornecidos pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores da capital mineira.

Segundo o economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, os números de fevereiro revelam que o endividamento e a inadimplência em queda são um reflexo da redução do consumo na capital. “O belo-horizontino está comprando menos e evitando adquirir compromissos financeiros para tentar aliviar o orçamento. Porém, ainda não está conseguindo garantir a plena capacidade de pagamento dos compromissos assumidos”, pontua.

A pesquisa da Federação mensurou também o percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de quitar a dívida. Pelo terceiro mês seguido, esse indicador apresentou retração, assumindo o valor de 9,8%. Dentre as formas de pagamento, o cartão de crédito continua como a opção mais utilizada pelos consumidores na capital mineira. Em dezembro, 86,9% usaram essa modalidade, índice ainda maior em famílias com mais de dez salários mínimos (93,5%).

O economista-chefe da Federação lembra que esse perfil de dívida exige um planejamento estruturado. “Os juros mensais para quem entra no rotativo do cartão de crédito, ou seja, quem atrasa o pagamento ou paga somente o valor mínimo, são um dos mais altos do mercado. Essa modalidade pode ser uma aliada no orçamento doméstico, desde que usada com consciência”, alerta Almeida.

Outras modalidades de dívidas citadas pelos entrevistados foram: os carnês (14,7%), o financiamento de carro (11,8%), o financiamento imobiliário (9,3%), o cheque especial (8,6%) e o crédito consignado (7,6%). Em Belo Horizonte, o endividamento representa 10% da renda familiar para 68,9% dos entrevistados, sendo que para 20,6% esse percentual atinge 50% do orçamento mensal. Em média, o tempo de comprometimento de renda é de seis meses.

Para elaborar a pesquisa de fevereiro, foram entrevistadas mil famílias residentes em Belo Horizonte. A margem de erro da pesquisa, elaborada nos últimos dez dias de fevereiro, é de 3,5% e o nível de confiança é de 95%.

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