O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que cresceu 1,1% em 2019, totalizando R$ 7,3 trilhões. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (04/03), é considerado o mais fraco dos últimos três anos. Ele pode ter sido provocado, principalmente, pela queda no ritmo de consumo das famílias e nos investimentos privados.

O resultado confirmou as expectativas do mercado, que já apontava para um crescimento tímido da economia. Já o PIB per capita (por habitante) teve alta de apenas 0,3%, atingindo R$ 34.533 em 2019. Esse valor equivale a U$S 7.573, pela atual cotação do dólar.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, ressalta que a economia brasileira ainda não se recuperou suficientemente para compensar as perdas da crise. “Apesar dos resultados positivos obtidos pelo PIB nos últimos anos, muitos fatores estruturais ainda impedem um crescimento substancial. Há a expectativa de que, após a aprovação da pauta reformista, a situação fiscal do governo melhore e as condições econômicas se tornem benignas”, avalia.

De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro segue 3,1% abaixo do pico – ponto mais alto da geração de riquezas – atingido no primeiro trimestre de 2014, e 5,4% acima do vale – ponto mais baixo – registrado no quarto trimestre de 2016. O resultado soma-se ao crescimento de 1,3% atingido nos anos de 2017 e 2018. Esses números sucederam as retrações de 3,5%, em 2015, e de 3,3%, em 2016.

Dados dos setores

Pela ótica da produção, a agropecuária cresceu 1,3%, amparada pelos desempenhos da colheita de algodão (+39,8%), do milho (+23,6%), da laranja (+5,6%) e feijão (+2,2%). Já a indústria cresceu (0,5%). A expansão de 1,9% dos segmentos de produção e distribuição de eletricidade, gás e água também impulsionou o PIB de 2019. A construção cresceu 1,6% no ano, sendo seu primeiro resultado positivo após cinco anos consecutivos de retração. O destaque negativo, por sua vez, coube à indústria extrativa, que sofreu queda de 1,1%.

Entre as atividades que integram o setor de serviços, os destaques foram: informação e comunicação (4,1%), atividades imobiliárias (2,3%), comércio (1,8%), outras atividades de serviços (1,3%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,0%) e transporte, armazenagem e correio (0,2%).

Já entre os componentes da demanda interna, Almeida ressalta a contribuição relevante do consumo familiar, cuja alta acumulada foi de 1,8%, seguida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que expandiu 2,2%. Esse indicador mede o volume de investimento produtivo na economia brasileira. “É o segundo resultado positivo do FBCF após quatro anos negativos”, aponta Almeida.

Já no setor externo, as exportações de bens e serviços caíram 2,5%, enquanto as importações de bens e serviços avançaram 1,1%.

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