A retomada gradativa da economia e o aquecimento do setor de construção civil contribuíram para o otimismo do comércio de materiais de construção. Mais da metade (69,3%) dos empresários do segmento acredita que o faturamento do 1º semestre de 2020 será superior ao registrado no 2º semestre de 2019. Essa é uma constatação da pesquisa do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção, Tintas, Ferragens e Maquinismos de Belo Horizonte e Região (Sindimaco BH e Região), em parceria com a Fecomércio MG.

Segundo 78,7% dos entrevistados, o faturamento se manteve ou aumentou no 2° semestre de 2019, o que contribuiu para a avaliação positiva do segmento. Já 70,3% dos empresários disseram que os ganhos foram iguais ou superiores ao registrado no 1° semestre de 2019. Esse resultado impactou a saúde financeira dos estabelecimentos, sendo que 75,7% viram a situação do negócio se estabilizar ou melhorar nos últimos seis meses do ano.

Para o 1º semestre, a perspectiva é que as finanças do segmento evoluam 83,7% em relação ao período anterior. De acordo com o presidente do Sindimaco BH e Região, Júlio Gomes Ferreira, os bons resultados são essenciais para a retomada definitiva do varejo da construção. “Os empresários estão confiantes diante da reação conquistada no 2º semestre de 2019, o que permitiu um saldo positivo nos negócios e a projeção de novos projetos”, avalia.

Entre as empresas que registraram retração no 2º semestre de 2019, o valor médio foi de 3%. Já entre aquelas que ampliaram o seu faturamento, o acréscimo médio foi de 5%. “Para minimizar os efeitos do cenário econômico desfavorável é necessário que o empresário se planeje. E uma das alternativas mais simples é o controle de estoque, que evita gastos desnecessários ou vendas frustradas, além de possibilitar a manutenção do equilíbrio nas relações de mercado”, explica o economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida.

Estratégia para bons negócios

Para alcançar os resultados esperados, 46,8% dos empresários farão promoções e liquidações para atrair o consumidor. Essa tática foi utilizada por 47,3% das lojas no semestre anterior. “É comum, principalmente no início do ano, que os consumidores busquem otimizar seu poder de compra comparando qualidade e preço. Essa atitude é benéfica ao empresário, que pode liquidar seus estoques e garantir recursos para a compra de um novo mix de produtos”, explica Almeida.

Além disso, a expectativa de melhores resultados para o 1º semestre pode se converter em novas vagas de trabalho. A pesquisa aponta que 89,9% das empresas do segmento devem manter ou elevar o quadro de funcionários neste período, 10,7 pontos percentuais (p.p) a mais em relação ao semestre anterior (79,2%).

Pagamentos e inadimplência

Quando o assunto são formas de pagamento, 97,7% dos entrevistados disseram aceitar o cartão de crédito, contra 61,4% que fizeram vendas nessa modalidade no último semestre de 2019. Muitos empresários relatam que não trabalhar com cartões compromete a imagem e a geração de renda do estabelecimento.

Enquanto isso, segundo 75,2% dos empresários, a inadimplência nas vendas a prazo se manteve ou aumentou no 2º semestre se comparado ao 1º semestre de 2019. Já a inadimplência por meio de cheques cresceu ou se estabilizou para 70,8% dos entrevistados. A fim de minimizar os impactos negativos na receita, 38,7% dos empresários não aceitam cheques, enquanto 27,6% realizam consulta ao SPC e cobrança direta ao cliente. Cheques apenas de clientes fidelizados (16%) ou cadastrados (11%) e a prioridade ao cartão de crédito como forma de pagamento (6,1%) estão entre outros itens apontados.

A análise foi realizada em Belo Horizonte, Betim, Confins, Contagem, Lagoa Santa, Nova Lima, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Sabará, São José da Lapa e Vespasiano. Entre as empresas entrevistas, 75,1% integram o segmento de ferragens, madeiras e materiais de construção, e 73,6% possuem até nove funcionários, sendo caracterizadas como microempresas.

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