O percentual de inadimplentes em Belo Horizonte encerrou o primeiro trimestre de 2020 com alta de 3,3 pontos percentuais (p.p.), atingindo 31,4% em março, contra 28,1% em fevereiro. Após recuar durante cinco meses consecutivos, o número de famílias endividadas voltou a crescer na capital mineira, alcançando 72,1% dos consumidores. Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Fecomércio MG.

A análise – elaborada com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) – mostra o uso do crédito como ferramenta estratégica. Desta forma, retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores.

O economista-chefe da Federação, Guilherme Almeida, considera comum a oscilação dos indicadores nos primeiros meses do ano. “Muitos consumidores ainda estão pagando as dívidas do fim do ano passado, o que pode contribuir para elevar a inadimplência, principalmente, porque muitos gastos são feitos por impulso. Além do mais, outras dívidas surgem no início do ano, como a compra de material escolar e os impostos obrigatórios. Por isso, é tão importante que as famílias adotem o planejamento doméstico para organizar as finanças”, explica.

A pesquisa da Federação mensurou também o percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de quitar a dívida. Em março, esse item avançou 1,5 p.p., assumindo o valor de 11,3%. Entre as formas de pagamento, o cartão de crédito continua como a opção mais utilizada pelos consumidores na capital mineira. No mesmo período, 86,7% usaram essa modalidade, índice que alcança quase a sua totalidade em famílias com mais de dez salários mínimos (97,7%).

Outras modalidades de dívidas citadas pelos entrevistados foram: carnês (13,3%), financiamento de carro (13,1%), financiamento imobiliário (8,5%) e cheque especial (8,6%). Em Belo Horizonte, o endividamento representa 10% da renda familiar em 70% dos casos, sendo que para 23,9% dos entrevistados esse percentual atinge 50% do orçamento mensal. Em média, o tempo de comprometimento de renda é de seis meses.

Para produzir a pesquisa de março, foram entrevistadas mil famílias residentes em Belo Horizonte. A margem de erro da pesquisa, elaborada nos últimos dez dias de fevereiro, é de 3,5% e o nível de confiança é de 95%.

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