4 etapas para abrir um negócio investindo pouco

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Iniciar um negócio com pouco dinheiro é algo possível, como já demonstrei em artigo anterior, publicado no site da Fecomércio MG. Para isso, é preciso uma combinação de uma boa ideia, demanda real e uma lucratividade interessante para que o empreendimento faça sentido para empresas de pequeno porte.

Agora, vou mostrar um método esquemático, que utilizei nos meus primeiros passos como empreendedor. Essa metodologia irá ajudar você, que lê esse texto e tem vontade de saber como abrir um negócio com investimento baixo.

Siga as etapas com rigor e entre, naturalmente, em um caminho orientado:

Etapa 1 – Responda a três perguntas

1. O que você sabe fazer?
2. Você tem algum hobby ou paixão que gostaria de transformar num negócio?
3. Quais são seus interesses pessoais genuínos?

Essas perguntas lhe ajudarão a enxergar potenciais, que, porventura, você tem e podem lhe servir de “matéria-prima” para começar. Como nosso pressuposto é empreender com pouco dinheiro, trata-se de um excelente caminho adotar um conhecimento ou paixão existente como base.

Etapa 2 – Identifique demandas e veja se pode atendê-las

Tendo a resposta de pelo menos uma das três perguntas acima você saberá o que te desperta real interesse e o que consegue fazer.

Mas para abrir um negócio com pouco dinheiro você deve detectar se o mercado busca possíveis soluções, serviços ou produtos relacionados aos seus interesses e competências. Afinal, um negócio sem clientes jamais se manterá.

Neste momento, entram duas variáveis que sempre menciono: os incômodos e os desejos das pessoas ou das empresas. Você precisa descobrir se há alguém (um grupo de pessoas ou de empresas) com algum problema cujo incômodo ou sonho o seu talento e conhecimento possam resolver.

Mas, para isso, é preciso saber quais são os sonhos ou desejos do seu público-alvo. Recomendo que comece com uma pesquisa informal baseada em observações ou conversas. Pode ser que você até possua uma percepção ou mesmo as respostas relacionadas à sua área.

Você também pode e deve utilizar o Google e outras ferramentas da internet, extremamente úteis para sua pesquisa.

Etapa 3 – Quantifique o exato valor para começar seu negócio

Mensurar quanto é preciso para abrir um negócio pode ser simples ou mais trabalhoso dependendo de cada caso. Ser instrutor, seja como autônomo ou microempreendedor individual, certamente será mais simples do que montar uma loja de bolos artesanais, que demanda um imóvel, além de outros custos para a fabricação dos bolos.

Para ter uma estimativa mais precisa, faça uma pesquisa realista dos preços das matérias-primas. Já se o negócio for baseado em puro conhecimento, verifique o que é preciso comprar de material e os custos para formalização (como contabilidade, abertura de conta, registros etc.)

Etapa 4 – Crie uma versão de teste da sua ideia (validação)

Um dos principais erros cometidos na criação de um negócio é acreditar na própria opinião sobre o mercado ou em afirmações de terceiros baseadas em coisas como ‘achismos’ e ‘certezas absolutas’.

Já vi muitos ‘quebrarem a cara’ quando a realidade, os fatos, a força de trabalho e principalmente os clientes mostraram outra versão das ‘certezas absolutas’ inquestionáveis tempos atrás.

Então, a melhor coisa a fazer antes da abertura de um negócio é testá-lo. E, ainda assim, uma coisa precisa ficar clara: pesquisas de mercado ou testes de validação não eliminam o risco de um negócio; apenas diminuem a sensação de incerteza.

Essa é uma verdade inconveniente para muitos egos que desejam se afirmar como ‘gurus’. Não acredite nestas falácias. Não existe negócio imbatível. Não existe certeza absoluta. Como muito bem ensina Steve Blank, um dos maiores professores de negócios do mundo, qualquer coisa que você sabe sobre uma empresa antes do mercado testá-la é pura alucinação.

Estando ciente disso, vou dar um exemplo de como testar e validar um negócio. Imagine abrir uma cafeteria diferenciada com cafés e quitutes incomuns. Há uma série de fatores que definem o sucesso ou o fracasso desse negócio, como:

• 4 Ps do marketing (Produto, Preço, Promoção, Ponto-de-venda);
• Concorrência;
• Capital de giro;
• Modelo de negócio;
• Gestão;
• Desempenho do atendimento;
• Desempenho dos funcionários (caso haja contratados).

É possível utilizar alguns desses fatores para testar um negócio, como variáveis dos 4 Ps, a exemplo do Produto (explicação logo abaixo), do Preço (vendendo uma versão em desenvolvimento e produzindo poucas unidades de outra aprimorada para venda e teste de preços) e da Promoção (criando poucas peças impressas com telefones de contato para teste de conversão).

Uma vez que se percebe o interesse do público neste ‘produto’ é preciso simular sua utilização com o máximo de realismo. Voltando ao exemplo da cafeteria, a melhor forma de testar o produto em si é servindo-os em alguma situação similar ao ambiente da cafeteria, como num pequeno evento. Há duas hipóteses: em um ambiente “emprestado” de cafeteria “emprestado” ou em algum evento com um contingente de público limitado.

O objetivo é verificar a reação das pessoas aos produtos, ao atendimento e à percepção de valor. O que se busca é a simulação do negócio sem jogar dinheiro fora ou gastar ‘rios’ divulgando algo que não se mostra sustentável.

Com o produto testado, também é possível experimentar diferentes modelos de negócio usando a Tela do Modelo de Negócios e mostrá-los para clientes em potencial, parceiros e influenciadores.

Mas, as demais variáveis, como concorrência, desempenho do atendimento e dos funcionários, gestão e eficiência do capital de giro não podem ser efetivamente testadas. É possível estimar o capital de giro, mas não assegurar se ele será suficiente no caso de imprevistos e surpresas depois que a empresa for aberta.

Por isso, abrir um pequeno negócio pode ser transformador, tanto pela autonomia quanto pelo aprendizado. Parafraseando meu colega Walter Longo, “o que importa não é o tamanho da empresa, mas o tamanho da visão”.

* Daniel Bizon é palestrante profissional, especialista em Marketing Estratégico pela PUC Minas e autor de livros de gestão e motivação (www.danielbizon.com.br)

Daniel Bizon