As causas mais comuns de acidentes de trabalho e como evitá-los

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A memória consciente – aquela lembrança sentinela das perdas em potencial que uma atitude insegura possui – é fundamental para prevenirmos acidentes de trabalho. Mas, tão importante quanto usá-la, é entender as principais causas que colocam em risco a integridade de quem atua em grandes corporações no país.

A primeira causa é o excesso de confiança. Uma das mais perigosas, senão a mais ameaçadora, ela é o combustível da negligência. Faz o indivíduo supor que jamais se acidentará – uma “pseudo-imunidade” que normalmente marca presença segundos antes de uma tragédia.

Na sociedade moderna, em que o ego orienta a vida de boa parte das pessoas, parecer mais forte do que realmente é se tornou um problema até mesmo de segurança do trabalho. Por isso é preciso bater na tecla da consciência, para que o trabalhador perceba a realidade.

A segunda causa é o pensamento cartesiano, a base da educação no Brasil. Ele é ótimo para certas funções, mas nos condiciona a supor que temos controle de todas as variáveis conhecidas. Como o ambiente profissional, na maioria das vezes, é dominado pelo trabalhador(a), ele(a) supõe que tudo está sob controle.

É aí que reside o mal. Duas grandes falácias acabam sendo incorporadas ao pensamento comum:

1) Que as variáveis que conhecemos são as únicas que importam;
2) Que sempre é possível prever resultados quando as conhecemos.

Esse é o mesmo tipo de crença que faz com que as pessoas compliquem suas vidas em situações cotidianas, como no trânsito e na segurança e finanças pessoais. É preciso expandir a consciência para a nossa vulnerabilidade diante da complexidade. Somente assim nos tornamos mais fortes.

A terceira causa é a crença de que a tecnologia pode substituir o comportamento seguro. Como ela “tomou conta” de tudo ao nosso redor, inclusive das máquinas no ambiente de trabalho, muitas pessoas pensam que a tecnologia garante 100% de segurança.

Há dispositivos, sensores, botões de emergência e afins criados para desarmar o funcionamento de uma máquina num momento de pânico. Mas as máquinas modernas também constam como coadjuvantes em acidentes gravíssimos e fatais, pois estão longe da perfeição.

Nada substituiu o comportamento seguro. Por isso, continuo afirmando que o autoconhecimento é um fator fundamental para evitar acidentes de trabalho. Gerar consciência se faz por meio de perguntas certeiras.

Como evitar acidentes de trabalho: a solução

Diante dos fatos, resta a pergunta: como evitar acidentes de trabalho? A resposta é por meio do cuidado ativo, conjunto de pequenas ações diárias que previnem, informam e salvam vidas antes que entremos na zona de risco. Isso só é possível com a memória consciente ativa em todos os trabalhadores.

Alguns pré-requisitos desse tipo de abordagem são:

• Vigilância constante da própria segurança e da segurança dos colegas;
• Atualização nos procedimentos de segurança, incluindo os EPIs e sua forma de utilização;
• Cumprimento detalhado dos requisitos de segurança (até mesmo para subir ou descer escadas de circulação);
• Realização de treinamentos práticos em campo e eventos que possam integrar a equipe.

Assim, listo um passo a passo que irá contribuir para que você e sua equipe possam praticar o cuidado ativo o tempo todo:

1) Tenha em mente que prevenir acidentes é mais importante do que a atividade em si

Do que adianta produzir algo se o resultado incluir a perda de pessoas ou de saúde? Se houver acidente ou morte, a atividade não fará sentido. Por isso, a prevenção de acidentes e o bem-estar estão no centro de tudo.

2) Estude os pontos críticos de cada atividade e/ou setor, mesmo que já tenha muita vivência/experiência

Dominar os pontos críticos da segurança em cada atividade, processo ou setor é um ganho de proatividade. É nesse contexto que o verdadeiro cuidado ativo se faz. Portanto, tenha muita atenção e ciência dos ‘gargalos’ da segurança na sua atividade e nas atividades auxiliares àquela principal.

Procure dominar também os gargalos intersetoriais e aquele compartilhado nas reuniões de alinhamento dos procedimentos de segurança.

3) Atualize-se

A atualização é o princípio da proatividade. Para realizar o cuidado ativo com maestria é básico dominar as melhores práticas e as novidades nos processos de segurança. Afinal, a tecnologia está revolucionando os equipamentos e procedimentos.

4) Promova encontros de aculturamento e atualização

Encontros como reuniões setoriais, treinamentos específicos, semana da Sipat são válidos para o trabalho de aculturamento e motivação para o cuidado ativo. Na palestra Motivação para a Segurança do Trabalho abordo, de forma mais aprofundada e interativa, o que é preciso fazer para evitar acidentes laborais.

Costumo dizer que os eventos têm um fator que os tornam atemporais: eles promovem o encontro entre pessoas como nenhuma outra ação. É por isso que a cultura se reforça, já que a socialização é um fator decisivo para o compartilhamento do intangível.

5) Se cometer ou ver algum erro, corrija na hora

Por mais que trabalhemos com afinco na geração de memória consciente, errar continuará sendo humano. Do contrário, não seria preciso todo o processo de gerenciamento da segurança do trabalho, além do pessoal envolvido.

O importante é corrigir todo e qualquer erro imediatamente à sua ocorrência e tratá-lo como um feedback. O erro só não pode fugir ao controle das ações proativas. Desta forma, seremos realmente melhores a cada dia e coerentes com as boas práticas para combater e evitar os acidentes de trabalho.

Daniel Bizon