Como fazer inovação de produto

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A inovação de produto e serviço é uma das modalidades mais praticadas seja por empresas experientes ou principiantes. Como o acesso ao conhecimento ficou mais democrático, ideias estão se transformando em produtos como nunca se viu antes. Do pequeno empreendedor à agressiva multinacional, todos podem inovar, desde que saibam realmente porque essa iniciativa surgiu.

A base da inovação de produto

Para fazer inovação de produto, a base é identificar duas variáveis cruciais: demandas latentes e ‘buracos do mercado’, que, por vezes, são ignorados até mesmo por grandes empresas que confiam muito na ‘eterna’ soberania de suas marcas ou no ‘retrovisor’ do cenário econômico.

As demandas latentes fazem parte de um fundamento que é o coração de qualquer negócio: a exploração de incômodos e desejos de um público-alvo. São problemas a serem resolvidos ou sonhos a serem realizados com urgência.

Já os ‘buracos do mercado’, chamados de ‘espaços vazios’, são falhas nos produtos/serviços existentes, que trazem grandes oportunidades para quem se dispõe a eliminá-los por meio da inovação.

Empresas ou empreendedores que trabalham nessas bases estão um passo à frente no desafio da geração de valor, algo simples, mas trabalhoso de executar.

Fatos reveladores sobre a inovação de produto no Brasil

Alguns fatos interessantes revelam o que está por trás da ‘maquiagem’, o verdadeiro panorama do cenário caótico e das oportunidades do ambiente de negócios, tanto nas capitais quanto no interior dos estados brasileiros.

A fama que a inovação ganhou por meio de casos de sucesso de algumas empresas tem levado a um erro repetidamente fatal: a criação de produtos ‘inovadores’ apenas na imaginação de seus criadores.

Quem já ouviu falar no mestre dos mestres em negócios inovadores, o célebre Steve Blank, sabe que uma de suas clássicas frases é:

Nenhum plano de negócios resiste ao primeiro contato com os clientes”.

Um produto só pode ser considerado inovador se o público-alvo o comprar. Esse é o indicador definitivo de adoção e de inovação, que significa gerar dinheiro novo e trazer uma receita que você não tinha. Não importa se já possui uma empresa consolidada ou se está em busca de abrir um negócio com pouco dinheiro.

As ‘alucinações em negócios’ acontecem por falta de método inovador e pela cegueira que o ego provoca no empreendedor. Por isso, é preciso adotar a inovação sistemática, para que os verdadeiros objetivos sejam alcançados. Por outro lado, a sociedade moderna vive cada vez mais acelerada, fazendo com que novas necessidades e desejos surjam todo o dia.

Tenho falado sobre a multiplicação e o afunilamento dos nichos de mercado nas palestras motivacionais que faço pelo Brasil. Os anseios dos clientes estão cada vez mais específicos. O macroambiente de negócios agora se reparte em unidades menores: segmentos, nichos, supernichos ou micronichos.

Além disso, muita gente pensa que inovar é ‘a salvação’ para todos os males, quando pode ser ‘a maldição’ de um negócio. Muito pior do que não inovar é inovar do jeito errado e na hora errada. ‘O tiro pode sair pela culatra’ e o que era para dar lucro pode trazer prejuízo total, ‘decretando a morte’ de uma empresa.

Ao contrário do que o senso comum nos leva a acreditar, a inovação é regida por um grande paradoxo: bem e mal, que habitam a existência humana e também coexistem no universo da inovação. É por isso que qualquer modalidade de inovação precisa ser vista como uma ciência, para que saibamos o que é feito, mesmo diante das contradições que o mercado traz para todo empreendimento.

Portanto, método, cuidado e planejamento são muito bem-vindos.

Porque muitos falham no processo de inovação de produto

Inovar não é sorte. A sorte pode ‘dar uma forcinha’. Mas inovação é ciência, e há método para isso. A intuição humana é fantástica e deve ser levada em conta na hora de inovar. Ideias inovadoras para empresas surgem muito a partir da intuição. Mas no mundo atual não podemos contar só com ela.

Estamos no ápice do caos quando se fala em probabilidades de acertos e erros em negócios. Muitas empresas falham no processo de inovação, principalmente por falta de experiência, ingenuidade ou por confiar demais na intuição.

Aqui estão algumas das falhas mais comuns no mercado brasileiro:

  • Construir o produto certo para o público errado;
  • Criar ‘elefantes brancos’ (produtos ou empresas grandiosas sem que haja clientes suficientes para eles);
  • Produto inovador com precificação errada (preço alto ou baixo demais);
  • Criação de produto sem qualquer pesquisa de mercado;
  • ‘Paixão’ pela versão beta do produto e consequente lançamento precoce com perdas catastróficas de tempo, dinheiro e esforço;
  • Demora para lançar o produto quando o protótipo já se mostra suficientemente bom.

Em verdade, tais efeitos também acabam se tornando causas, pois os fracassos contínuos retroalimentam o processo de falha no inconsciente coletivo e nas ações do dia a dia do empreendedor. É por isso que considero que a inovação precisa ser tratada sempre como um processo, passível de gestão e métricas.

Só assim ‘a coisa’ irá funcionar de verdade.

Daniel Bizon