Os dois lados da moeda quando se fala em inovação no Brasil

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Há “dois lados da moeda” quando se fala em inovação no Brasil. Um lado é o infeliz fato de que o Brasil está estagnado no ranking mundial de inovação, segundo matéria do site da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), publicada em junho de 2017.

Segundo o texto, “de 130 economias de países analisados, o Brasil ficou na 69ª posição no Índice Nacional de Inovação, elaborado pela Universidade de Cornell, pela escola de negócios Insead e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual.”

Outro trecho relevante cita que “passamos da 47ª posição, em 2011, para a 69ª atualmente. A crise contribuiu para essa queda, e as fontes de financiamento público à inovação secaram. Além disso, houve uma desorganização empresarial com a crise política e as investigações policiais (Lava Jato).”

O “outro lado da moeda” é o fato de que, apesar desse ranking, inovações pontuais e interessantes surgiram, e curiosamente, algumas foram realizadas por pessoas comuns, startups ou por pequenas empresas.

Veja alguns exemplos:

  • Em Belo Horizonte nasceu uma das empresas mais inovadoras do mercado de negócios digitais, a Hotmart, que está localizada num polo de inovação da capital mineira chamado San Pedro Valley, outro forte indício de que há um organizado movimento de inovação em curso;
  • Gabriel Goffi, ex-jogador de pôquer, criou uma das maiores startups de desenvolvimento pessoal do Brasil: a High Stakes Academy, que alcançou um sucesso imenso em impacto social e faturamento;
  • A Embraer criou aeronaves de pequeno porte que despontam pela qualidade e segurança dos voos que realizam;
  • O queijo canastra que foi reconhecido oficialmente pelo Inpi e desponta como patrimônio cultural-gastronômico mineiro;
  • O Banco Sofisa criou o primeiro banco 100% on-line, sem agências físicas, sem tarifas e com investimento mínimo de R$1,00 em aplicações que os grandes bancos não oferecem ao pequeno investidor;
  • O aplicativo Méliuz, que devolve na conta bancária dos usuários um percentual do dinheiro gasto em compras nos estabelecimentos credenciados.

A lista pode se estender muito, mas esses poucos exemplos mostram fatos reveladores sobre as mudanças no país, que há alguns anos era visto internacionalmente só como um mercado consumidor do primeiro mundo.

Estamos longe do topo do ranking, mas algo diferente já está acontecendo no Brasil.

* Daniel Bizon (www.danielbizon.com.br)

Daniel Bizon