Um guia essencial de como fazer inovação de produto

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A inovação precisa ser tratada, sempre, como um processo passível de gestão e métricas. Como disse em meu artigo anterior no site da Fecomércio MG, “só assim ‘a coisa’ irá funcionar de verdade”. Neste novo texto, apresento um guia essencial para quem deseja fazer inovação de produtos na prática.

Considere as observações a respeito de quatro opções de pontos de partida:
1. Uma ideia de produto ou serviço
2. Um público-alvo
3. Problemas e sonhos de pessoas ou empresas
4. ‘Espaços vazios’ no mercado

Esses pontos de partida possuem um certo grau de flexibilidade sequencial, já que cada um é válido para iniciar a inovação. Isso torna a atividade dinâmica, sem perder o sequenciamento que um processo proporciona por natureza. Quaisquer um desses pontos pode ser o seu ‘start’ de inovação, desde que você passe pelos demais, independentemente de qual escolher primeiro.

Vou explicar cada um deles:

Ponto de partida 1 – Escreva sua ideia, caso ela já exista

É comum alguém ter uma ideia de produto ou serviço que pode ser adotada e utilizada por muitos. Tem gente que enxerga possibilidades e já imagina algo pronto, resolvendo problemas reais do mundo real. Há algum tempo, um ex-aluno meu apareceu com uma ideia de produto genial. Ele tem um ‘perfil inventor’ e já teve outras ideias interessantes que se enquadram na inovação de produto.

Segundo rumores e a história contada no filme de Steve Jobs, o IPhone parece ser um exemplo de inovação criada a partir da ideia de um produto (e não do público, problemas/sonhos e espaços vazios no mercado). Como Jobs era um visionário, é possível que sua intuição tenha trazido à tona a ideia do produto em si.

Como um produto pode ‘pipocar do nada’, minha recomendação é escrever a ideia de produto ou serviço. Procure descrevê-la em linhas gerais e depois especifique-a, mostre as características, aplicações e, claro, contemple os outros três pontos de partida, fundamentais para a adequada visualização de sua adaptabilidade ao mercado.

Ponto de partida 2 – Defina o público-alvo

Toda vez que estive numa ‘rodinha’ de pessoas interessadas em marketing ou empreendedorismo, ao descrever uma ideia de negócio, frequentemente alguém me perguntava: “Daniel, você quer lançar essa ideia para quem?”. Essa pergunta traz mais clareza para quem já definiu o público-alvo e ‘encurrala’ quem nunca se perguntou sobre isso.

Definir o alvo é crucial, porque depois de verificar o interesse do público em algo é preciso conhecer o seu tamanho. Se há muitos possíveis interessados e se a proposta faz sentido a ponto de o público pagar por ela, ótimo! A combinação de interesse, volume e adoção é o que desejamos ao criar um produto ou serviço.

Vivi esse processo há pouco tempo quando elaborava o Método Minha Vez de Vencer®, meu trabalho de orientação para pessoas de meia-idade que querem mudança de vida para alcançar seus objetivos.

Ponto de partida 3 – Identifique incômodos e sonhos deste público

Independentemente de o público-alvo ser ou não o seu ponto de partida para a inovação, é preciso entender suas motivações de compra. Até porque, o primeiro fator que facilitará a venda do produto ou serviço (veja o artigo sobre como vender serviços) é a compreensão dos incômodos e sonhos do seu público. Há três formas de alcançar esse nível de compreensão: (1) observando o público-alvo, (2) perguntando e (3) pesquisando nas ferramentas da internet.

A forma 1, observação do público-alvo, significa ver algo de forma direcionada, seja de modo ativo ou passivo, sendo a última opção muito comum. A observação ativa é quando sabemos o que e porque estamos observando. A observação passiva é quando despretensiosamente descobrimos algo.

Muitos negócios de sucesso no mundo nasceram porque alguém observou passivamente a realidade ao seu redor e enxergou uma oportunidade. Quando o seguro de carro surgiu, provavelmente alguém percebeu que o índice de roubos a carros particulares expandia e decidiu criar um modelo de negócio capaz de trazer ‘sossego’ para donos de automóveis.

O mesmo deve ter ocorrido quando a violência nas grandes cidades aumentou. Alguém provavelmente percebeu quais seriam as próximas zonas de insegurança e idealizou uma ‘patrulha particular’, que ronda os bairros com motoboys. Ou, quando nasceram os pet shops, provavelmente da observação de que com mais animais de estimação cresceria a demanda por cuidados e alimentação animal.

A forma 2, perguntar para o público, é entrevistar pessoas ou representantes de empresas que fazem parte do grupo de controle ou público-alvo. É o que chamamos de pesquisa exploratória, cujo foco é descobrir o que os incomoda, as dificuldades, os aborrecimentos, os desejos, os sonhos e as aspirações.

Quando comecei a criar meu método de mudança de vida, perguntei às pessoas que se enquadram no público-alvo sobre aspectos que poderiam apontar para a descoberta de incômodos e sonhos. As perguntas eram majoritariamente abertas. Quando observava algum padrão nas respostas, usava perguntas fechadas para afunilar a compreensão.

A forma 3, pesquisa nas ferramentas de internet, consiste em explorar termos ou expressões que as pessoas estão buscando principalmente no Google. Há ferramentas que mostram esses termos com altíssimo nível de precisão e quantificação. A primeira é o Google Suggest, que são aquelas sugestões que se autocompletam quando digitamos algo na busca do Google. Outras, pagas, são a Semrush e a KeywordPlanner Pro, que permitem fazer, com eficiência, um número limitado de buscas diárias gratuitamente.

Ponto de partida 4 – Identifique ‘buracos’ ou espaços vazios no mercado

Buracos ou espaços vazios são ineficiências, sinais de falta de qualidade ou de potencial de melhoria contidos em produtos ou serviços existentes. Milhares de pessoas estão insatisfeitas com o que há disponível, abrindo uma enxurrada de oportunidades para quem pretende inovar.

Nesse contexto, um simples incremento (que é uma pequena melhoria ou um novo recurso) pode valer muito para quem tem coragem e disposição. O carro flex foi uma verdadeira inovação de produto, baseada em uma limitação dos automóveis até então. Naquela época, abastecer com gasolina ou álcool foi simplesmente fantástico, apesar de que hoje é praticamente nada.

Atualmente, os drones são exemplo de crescimento e entrega de cada vez mais valor por meio da percepção de espaços vazios no mercado. Desde a criação do primeiro drone nos anos 60 e seu uso militar nos anos 80, o potencial deste produto tecnológico vem sendo aproveitando por mentes inovadoras que encontram mais e mais aplicações para ele.

Gostou? No último artigo desta série, você aprenderá mais sobre os buracos e espaços vazios no mercado e saberá, em detalhes, sobre protótipos e lançamentos de produtos e serviços.

* Daniel Bizon é palestrante profissional, especialista em Marketing Estratégico pela PUC Minas e autor de livros de gestão e motivação (www.danielbizon.com.br)

Daniel Bizon