Segundo pesquisa da Fecomércio MG, quando a venda é a prazo, o Cartão de Crédito Próprio também vem ganhando espaço em Belo Horizonte

As vendas a prazo corresponderam a 60% do volume total do que é comercializado em Belo Horizonte. Nessa modalidade, o cartão de crédito possui liderança absoluta como meio de pagamento, com 82,4% das operações. Os dados são da pesquisa Balanço do Crédito do Comércio Varejista de Belo Horizonte, divulgada pela Fecomércio MG. O objetivo do estudo é levantar informações sobre a composição das vendas a prazo e do quadro de não recebimento do comércio varejista.

Gabriel Ivo, economista da Federação, avalia que o cartão de crédito tem papel importante no aquecimento da economia. “É inegável que, com o crescimento do acesso ao crédito nos últimos anos, o cartão se torna a principal ferramenta de consumo. O poder de compra do consumidor na base da pirâmide social brasileira depende desse crédito, que, por sua vez, alavanca a economia”, explica.

O cartão de crédito é líder isolado na preferência dos consumidores em relação às outras modalidades de pagamento a prazo. O Cartão de Crédito Próprio (aquele oferecido pelas grandes redes varejistas, também chamado de “private labels”) responde por 7,6% das transações, o cheque por 6,9% e o boleto bancário por somente 3% das operações. Gabriel Ivo explica que o estímulo ao uso do cartão se dá pela facilidade de acesso, benefícios e segurança, aliados à possibilidade de pagamento parcelado sem juros. “Além disso, por parte dos empresários, o cartão é benéfico para evitar o risco de inadimplência, fortalecer a carteira de recebíveis em cartões, garantir o pacote de benefícios junto às administradoras e alcançar metas de faturamento”, destaca o economista.

Tendências

Apenas 8,5% das empresas disponibilizam o Cartão de Crédito Próprio, mas essa é uma tendência em expansão pelas redes varejistas e a participação dos “private labels” no volume de compras em Belo Horizonte é crescente. Para Gabriel Ivo, os Cartões Próprios estreitam o relacionamento com o consumidor — especialmente com o público de menor renda — e abrem oportunidade para o recurso “volta às lojas” para efetuar o pagamento das parcelas, e acabar comprando mais.

O contraponto ao aumento da participação dos meios de pagamento eletrônicos, de acordo com a pesquisa da Fecomércio MG, é a queda sucessiva da utilização dos cheques. Desde junho deste ano — quando 16,4% trabalhavam com cheques —, a participação da modalidade nas compras a prazo e parceladas caiu de forma gradativa mês a mês, até atingir 7,7% em outubro.           “Esse comportamento é reflexo da virtualização do consumidor, cada vez mais atento a questões como segurança e conveniência. Do ponto de vista dos empresários, o cheque perde espaço pelo risco de inadimplência e altos custos para recuperação do dinheiro em caso de não pagamento”, ressalta Gabriel Ivo, economista da Fecomércio MG.

Metodologia

A pesquisa Balanço do Crédito do Comércio Varejista de Belo Horizonte é quantitativa tipo survey e ouviu 386 empresários de Belo Horizonte, entre 10 e 13 de novembro.

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