De novembro para dezembro deste ano, o controle dos belo-horizontinos sobre as contas caiu ligeiramente. Mas os consumidores que mantém o orçamento na ponta do lápis ainda superam os mais descuidados com o planejamento doméstico. Foi o que apontou a Pesquisa de Orçamento Doméstico de Belo Horizonte, realizada neste mês pela Área de Estudos Econômicos da Fecomércio MG.

A pesquisa é um balizador do comportamento das famílias relativo aos compromissos correntes e financeiros. “A falta de planejamento, diante dos gastos rotineiros aliados aos movidos por impulso/oportunidade, pode desencadear um desequilíbrio que acaba por impactar na saúde financeira de diversas cadeias de negócios”, afirma o economista da Fecomércio MG Caio Gonçalves.

Em relação às atitudes adotadas para o planejamento do orçamento doméstico, os consumidores que afirmaram ter uma postura mais rígida (planejam e seguem rigidamente) representaram 43,9% das respostas em dezembro, abaixo dos 44,9% apurados em novembro (queda de um ponto percentual). O número dos que afirmaram não planejar o orçamento aumentou de 19,5% em novembro para 20,9% em dezembro. No entanto, mesmo às vésperas do Natal, caiu o percentual de consumidores que admitem comprar por impulso: de 24,6% em novembro para 22,4% em dezembro.

Outro cenário otimista é o de “situação financeira do consumidor”. Neste mês, 70,9% afirmaram que conseguem planejar o orçamento familiar e ainda sobra algum dinheiro (mais do que os 65% apurados em novembro). Aqueles que, no mês passado, disseram sempre recorrer a algum tipo de financiamento, mas ainda assim ficam devendo, representavam 0,3% em novembro, mas neste mês nenhum se qualificou nesse perfil.

Financiamentos

Houve redução entre os consumidores que recorrem a algum tipo de financiamento como cartão de crédito ou cheque especial para cobrir os gastos, de 33,5% para 28% no período.

Já nas despesas correntes que mais pesam no orçamento, ou seja, os bens e serviços de primeira necessidade, a diferença em relação a novembro foi mais evidente. A água, que em novembro foi apontada por 36% dos entrevistados, caiu para 27,8%, enquanto o item “alimentação/supermercado” saltou de 9,8% para 14,2% este mês, terceiro lugar nas respostas. O segundo lugar da pesquisa ficou com energia elétrica, com 19,5% ante 19,2% em novembro. “A percepção do consumidor está alinhada com o último dado divulgado pelo IBGE para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro na capital mineira. O índice apontou a categoria ‘alimentação e bebidas’ como o grupo que mais variou em novembro (0,66%)”, acrescenta Caio.

Com a proximidade do Natal, outro tópico que apresentou mudanças significativas foi o uso do recurso excedente da renda. Os dois itens mais respondidos em novembro, a poupança, com 42,6%, e lazer com 26,5%, caíram para 38,9% e 25,5% respectivamente, enquanto “compras/consumo” saltou de 14,7% para 21,6%.

Metodologia

A Pesquisa de Orçamento Doméstico foi realizada por meio de questionários com 393 pessoas, entre 9 e 12 de dezembro, com amostra estratificada da população do município de Belo Horizonte e cotas proporcionais de acordo com sexo, grupo de idade e regionais da cidade.

Postagens Recentes