Artigo da Supervisora de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, Luana Oliveira, publicado no Estado de Minas.

 O Carnaval mal terminou e os empresários de Belo Horizonte já estão trabalhando para que o coelhinho da Páscoa movimente os lucros dos negócios. Após um Natal com resultados abaixo do esperado e com expectativa de cautela por parte do consumidor neste ano, o bom desempenho nas vendas da Páscoa, que abre o calendário de datas comemorativas do varejo, é a esperança de o empresariado manter a planilha no azul ainda no início de 2015.

O freio do consumo por parte dos belo-horizontinos no começo do ano (devido às despesas escolares e aos impostos) somado ao atual cenário econômico brasileiro deve ocasionar um aumento tímido nas vendas pascais, embora ele ainda seja possível, caso os empresários apostem em inovação. Presentes de chocolate personalizados, por exemplo, são uma ótima pedida e podem agradar o bolso do consumidor mais econômico. Nesse sentido, a boa vontade do mineiro em agradar e presentear os amigos e entes queridos é aliada dos lucros, especialmente das micro e pequenas empresas.

Mas os donos de pequenos negócios têm pela frente um desafio: as grandes franquias nacionais, que vêm recheadas de publicidade Brasil afora. Para desbancar a concorrência, a dica é apostar em promoções, no bom atendimento e nos kits montados de forma individual. Linhas fit também prometem boa saída, pois muita gente se preocupa em aproveitar a Páscoa sem sair da dieta. Linhas diet, light, sem lactose, sem glúten, especial para diabéticos, entre outras, precisam ter seu lugar na prateleira. Além dos ovos de Páscoa, a comemoração da data religiosa (Semana Santa) gera oportunidades para outras modalidades de negócios como livrarias, lojas de publicações e enfeites religiosos, supermercados, etc.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), o comércio varejista restrito mineiro cresceu 2,6% em 2014, 0,4% acima do índice nacional. Ou seja, mesmo em proporções menores, é possível observar uma melhora nas vendas. Datas comemorativas elevam as chances de consumo e o apelo emocional costuma ser o principal fator de propensão à compra. Por isso, é importante que o empresário invista também na visibilidade da loja.

Na Páscoa do ano passado, para mais de 89% do empresariado da capital mineira, a data afetou de forma positiva o ritmo dos negócios. Além disso, 53,3% aumentaram o faturamento em até 20%, motivados, em sua maioria, pelos produtos em promoção. Já para 2015 o cenário é de mais cautela, uma vez que os empresários estão menos confiantes com a economia e os consumidores mais endividados, conforme apontam nossas pesquisas.

Contudo, para alavancar as vendas e concorrer com as grandes franquias no próximo feriado, os empresários deverão apostar na apresentação das vitrines e nos preços atraentes. Ofertar descontos para pagamentos à vista, por exemplo, é uma maneira de chamar os clientes e movimentar o caixa da empresa. E os consumidores deverão dar preferência às compras à vista para controlar melhor o orçamento. No ano passado, mais de 70% dos belo-horizontinos foram às lojas motivados pela comemoração da Páscoa e o principal fator apontado como desestímulo por 67,3% foram os preços altos praticados. O poder de negociação dos empresários de pequenos negócios com o consumidor é maior, e esses estímulos farão uma “santa” diferença no caixa no final do mês.

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