A inadimplência em BH teve queda de 1,5 ponto percentual (p.p.) em setembro, em relação a agosto, atingindo 6,2% e interrompendo uma sequência de alta. A conclusão é da Análise de Endividamento do Consumidor de BH, desenvolvida pela área de Estudos Econômicos da Fecomércio MG.

A redução da inadimplência é fruto de uma mudança de comportamento do belo-horizontino, que está inseguro diante do cenário de instabilidade econômica. “O consumidor está receoso frente aos riscos de diminuição da renda, como a possibilidade de desemprego. Nossos levantamentos apontam que as pessoas têm priorizado o pagamento à vista como forma de evitar comprometer o orçamento”, afirma a estatística da Fecomércio MG, Elisa Castro.

O índice de endividamento apresenta um panorama da aquisição de compromissos financeiros, como financiamento de imóveis, carros, contração de empréstimos e uso do cartão de crédito. Esse quesito na capital aumentou 5,6 p.p. em setembro frente ao mês anterior e atingiu a marca de 59,3%. Segundo a análise da estatística da Fecomércio MG, o resultado demonstra que o belo-horizontino, mesmo cauteloso, está voltando a consumir. “Pouco a pouco, estão assumindo compromissos de médio e longo prazo.”

O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo comprometimento da renda dos endividados, sendo citado por 64,4% dos entrevistados. Ele é seguido pelos cartões de loja, 18,3%, e carnês, 3,4%. A modalidade também lidera a lista de prioridade de pagamento de 67% das pessoas consultadas. “O cartão de crédito, quando utilizado de maneira adequada, pode ser um aliado do consumidor, pois permite o parcelamento dos gastos e o planejamento das finanças. Mas é preciso ter cautela ao utilizá-lo, já que o serviço emprega as maiores taxas de juros do mercado, podendo chegar a 403,5% ao ano” afirma Elisa.

Já o número de consumidores com compromissos financeiros em atraso cresceu na capital, passando de 8,4%, em agosto, para 9,7% em setembro, um avanço de 1,3 p.p. Esse comportamento é fundado na falta de planejamento financeiro e no descontrole, conforme a opinião de 50% dos entrevistados. Entre os endividados, 46,9% estão com as contas em atraso há mais de 90 dias e 48,4% afirmam não saber quando conseguirão saldar as dívidas.

O levantamento destaca, ainda, as despesas correntes – contas que, normalmente, são periódicas no orçamento doméstico – que estão em atraso, como energia elétrica (27,5%), telefone fixo (25%) e água (20%).

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