Os preços dos bens e serviços consumidos no Natal devem registrar deflação pela primeira vez em 17 anos. A projeção foi feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento da entidade, iniciado em 2001, considera uma cesta composta por 214 itens, que já acumulam queda de 1,1% em 12 meses até outubro.

Os itens com maior expectativa de redução de preços são celulares (-9,1%), equipamentos de TV, som e informática (-7,7%) e alimentos para consumo no domicílio (-5,4%). Em contrapartida, as passagens aéreas (+17,9%), bilhetes de ônibus intermunicipais (+7,2%) e tênis (+6,9%) devem ficar mais caros que no ano passado, os dois primeiros diretamente influenciados pelos combustíveis.

A cesta mais barata levou a CNC a revisar a projeção de aumento das vendas para Natal de 4,3% para 4,8% neste ano. Para o economista da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, alguns fatores contribuíram para este cenário mais favorável ao consumidor. “Vimos, ao longo de 2017, a melhora em indicadores como a taxa de juros; a geração de empregos formais segundo o Caged, que desde abril apresenta saldo positivo; e a inflação, que está em 2,7%, no acumulado em 12 meses”.

O economista ressalta que os itens básicos do componente “alimentos” devem ter deflação por causa da boa safra deste ano. “Nem mesmo a ligeira alta da inflação, registrada em outubro, influenciou este item, que apresentou nova redução de preços”, lembra. Os componentes “eletrônicos” e “eletroeletrônicos” também devem cair, mas em função do câmbio. “Muitos produtos fabricados aqui usam insumos importados. Com o dólar de R$ 0,20 a R$ 0,30 mais barato que no ano passado, o preço desses bens fica mais barato”, explica.

Além dos melhores indicadores em 2017 e da influência da boa safra e do câmbio, há um fator importante no cenário projetado pela CNC: a cautela do consumidor. Segundo Almeida, esse comportamento impactou a oferta durante todo o ano. Em alguns itens, houve uma oferta maior que a demanda, o que fez os preços deles caírem em relação a períodos anteriores.

A CNC espera que o varejo, na época, movimente R$ 34,7 bilhões. Os segmentos de supermercados (R$ 11,6 bilhões), vestuário (R$ 9 bilhões) e artigos de uso pessoal e doméstico (R$ 5 bilhões) devem corresponder por quase dois terços das vendas. Mas esses números podem mudar, como alerta o economista da Fecomércio MG. “A projeção é muito volátil. Em outubro, a inflação acelerou por causa de itens que impactam na cesta de produtos básicos do consumidor, como a energia e o gás. Eles podem voltar a influenciar os preços de bens e serviços até o fim do ano”.

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