O percentual de endividados em Belo Horizonte cresceu em agosto, pelo segundo mês consecutivo, totalizando 67% da população, contra os 64,4% apurados em julho. O total de famílias com contas ou dívidas em atraso também aumentou, passando de 25,8% para 29,9% no mesmo período. Essa é a primeira elevação do indicador de inadimplência, após três meses de queda. No mesmo mês de 2017, o índice estava em 20,3%. Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio MG, com base em dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O estudo retrata o comprometimento da renda com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores. De acordo com o economista da Federação, Guilherme Almeida, o avanço do endividamento aponta para uma aceleração no consumo. “Com a inflação controlada e a melhoria dos aspectos conjunturais da economia, verificamos, nos últimos meses, que as famílias estão voltando ao mercado de consumo. Isso é positivo. O problema aparece quando o consumidor compromete demais a renda, a ponto de não conseguir mais honrar os compromissos financeiros adquiridos”, explica.

Almeida observa que a principal modalidade de endividamento é o cartão de crédito (80,6%). “É uma alternativa popular, democrática, mas que, se usada de forma não planejada, leva as pessoas a um quadro negativo. É preciso controlar esses gastos para não perder o controle”, ressalta o economista. A pesquisa indica ainda que 14,9% dos entrevistados afirmaram que não terão condições de quitar as dívidas vencidas.

Ranking nacional

Na lista das capitais com mais endividados no país, Belo Horizonte ocupa o oitavo lugar no ranking nacional, com um percentual de 70% da população. Isso representa mais de 567 mil famílias. Os dados, relativos a dezembro de 2017, compõem a 8ª Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, estudo elaborado pela FecomércioSP, com base em informações do Banco Central do Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da CNC. O indicador fica acima da média nacional, de 62%.

A proporção de famílias com contas em atraso era de 25% no final do ano passado, conforme o estudo. A capital mineira apresenta as maiores taxas de comprometimento da renda (40%), ficando atrás apenas de Teresina (PI) e Boa Vista (RR), ambas com 43%. Em quarto lugar, aparece Brasília (35%). Esses índices têm menor gravidade para as duas cidades do Sudeste e Centro-Oeste, em função do maior nível de renda. De qualquer forma, o patamar considerado adequado é de 30%. No caso do valor médio mensal de dívidas por família, a capital no topo da lista é a mineira, com R$ 2.766.

8ª Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras

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