Depois de quase um ano e meio de estabilidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu em 0,5 pontos percentuais (p.p.) a taxa básica de juros, a Selic. Com o anúncio feito ontem (31/07), ela atingiu 6%, o menor patamar desde 1986, quando o Banco Central iniciou a série histórica. Esse instrumento da política monetária é usado como referência para a concessão de crédito às pessoas físicas e jurídicas em todo o país.

Em comunicado oficial, os membros do Copom anunciaram que a inflação moderada (de 3,37% ao ano) permitiu o ajuste na taxa, servindo como um “adicional no grau de estímulo à economia”. Os próximos recuos dependerão, segundo o Comitê, da evolução da atividade econômica, da inflação dentro da meta estabelecida (de 4,25%), da melhora do ambiente externo e da aprovação de reformas estruturais para o país.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, destaca o impacto positivo da queda da Selic. “A Selic ajuda a balizar o consumo e o investimento no Brasil, servindo de parâmetro para outras taxas de juros. Assim, ao aumentá-la, o Banco Central busca segurar o excesso de demanda, que pressiona os preços, encarece o crédito e estimula os investimentos no mercado financeiro. Ao reduzi-la, ele deixa o crédito mais barato, incentivando a produção e o consumo”, explica.

A redução da taxa básica de juros se soma uma série de cortes consecutivos, iniciados em 31 de agosto de 2016. Na época, a Selic estava definida em 14,25%, o maior patamar registrado desde 19 de julho de 2006, quando o índice atingiu 14,75%. “O que observamos nesses quase três anos é um corte vigoroso, com consequências para as famílias, as empresas e o governo”, ressalta Almeida.

Consumidor beneficiado

Um indicativo de estímulo ao consumo, sobretudo de bens duráveis, o corte na Selic deve tornar o crédito mais barato apenas em médio prazo. A razão é simples: o custo das operações de crédito bancárias não se limita à taxa básica de juros. “A diferença entre esse indicador e os juros cobrados pelos bancos na concessão de crédito é significativa, pois envolve fatores como os custos administrativos, o lucro da instituição, o nível de inadimplência e o risco da operação”, avalia o economista.

Crédito ao empresário

A queda da Selic deve tornar o crédito mais barato também aos empresários. A tendência, segundo Almeida, é que o juro mais baixo altere o comportamento do grande investidor. “A medida dá mais confiança para que ele realoque o dinheiro em ações com impacto na economia real. Isso não só incentiva a geração de novos empregos e renda, como favorece a indústria, que está com elevada capacidade ociosa, e o comércio, por meio do aquecimento do consumo.”

Melhoria na situação fiscal

Outro a se beneficiar da medida é governo. A redução da Selic diminui os juros da dívida pública, pois a taxa básica serve de parâmetro para esse débito. Um alívio para Estados como Minas Gerais, cuja situação fiscal é uma das mais preocupantes do país. “O governo só não pode entender a redução do custo da dívida como um sinal verde para aumentar o nível de endividamento, gerando mais gastos ao invés de economia”, finaliza Almeida.

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