Com a proximidade do fim do ano, os empresários de Minas Gerais começam a preparar estratégias de venda para atrair os clientes, que costumam gastar mais no período. A fim de impulsionar os negócios, milhares de trabalhadores já começam a serem admitidos. De acordo com a pesquisa “Contratação de Temporários”, elaborada pela Fecomércio MG, 16,4% dos empresários mineiros planejam contratar funcionários temporários nesses últimos meses do ano.

Segundo o economista-chefe da Federação, Guilherme Almeida, a criação de novos postos de trabalho contribui para alavancar as vendas no setor varejista. “Os empresários devem aproveitar essa época para investir em novas formas de atrair e cativar os clientes. A contratação de temporários é uma boa oportunidade para agregar valor e personalizar a experiência de venda. Em tempos de lojas cheias, o atendimento pode ser o diferencial para a efetivação de um negócio”, explica.

A pesquisa destaca o otimismo dos empresários nas contratações temporárias. Ao todo, 83,9% dos entrevistados devem manter o número de vagas ofertadas no ano passado, a maioria distribuída entre vendedores (58,6%), operadores de caixa (13,8), estoquistas/repositores (8%), fiscais de loja (5,7%) e balconistas (3,4%). Já os segmentos de tecido, vestuário e calçados (35,5%) e artigos de uso pessoal e doméstico (26,1%) serão aqueles com mais admissões.

As perspectivas também são boas em relação à efetivação. Entre os empresários ouvidos, 31,2% têm interesse em contratar os temporários para o quadro de funcionários fixos. “Esse cenário é muito promissor para centenas de pessoas que buscam uma oportunidade no mercado de trabalho,” reforça Almeida. As efetivações ocorrerão, principalmente, em janeiro de 2020 e dezembro de 2019.

Trabalho intermitente: uma tendência

Uma nova modalidade de trabalho que pode contribuir para o aumento no número de vagas no fim do ano: o intermitente. Instituída pela lei de Modernização das Relações do Trabalho Trabalhista, em novembro de 2017, essa nova modalidade de contrato de trabalho permite ao profissional prestar serviços em períodos alternados, conforme a demanda do empregador. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a participação do modelo de trabalho intermitente no saldo de vagas formais saltou de 5,5% no primeiro semestre de 2018 para 9,4% no mesmo período deste ano.

A assessora jurídica da Presidência da Fecomércio MG, Tacianny Machado, destaca que a modalidade incentiva a contratação, ainda mais em um período que o número de desempregados no país é grande. “O trabalho intermitente amplia as possibilidades de contratação por parte das empresas, colabora para gerar novos postos de trabalho no Brasil e garante mais dinamismo ao mercado, sem retirar direitos dos trabalhadores”, explica.

Normalmente, o trabalho intermitente é adotado por empresas que demandam mais flexibilidade em relação à carga horária, como atividades do comércio em geral, serviços de hotelaria, restaurantes e eventos. Esse regime trabalhista contribui para expandir a quantidade de vagas formais abertas, garantindo ao empregado o direito de receber o valor do salário mínimo por hora e férias proporcionais. O trabalhador sob essa modalidade pode, ainda, manter outros contratos intermitentes.

“No início do ano a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou o trabalho intermitente válido no comércio varejista, com base em um recurso apresentado pelo Magazine Luiza. Foi asseverado pela Corte Trabalhista que o trabalho intermitente não é limitado a determinadas atividades (salvo os aeronautas que possuem lei própria) ou empresas, nem a casos excepcionais. Tal decisão gerou mais segurança jurídica a essa forma de contrato”, ressalta Tacianny.

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