Os impactos sociais e econômicos gerados pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) podem ser sentidos em diversos setores, como comércio e serviços. Se por um lado, as medidas de distanciamento social contribuíram para minimizar a propagação do vírus, elas também promoveram novas formas de consumo e relacionamento entre empresas e clientes. Com parte do comércio fechado, a redução salarial e o medo do desemprego, o consumidor passou a optar apenas pela compra de itens essenciais. Diante desse fato, os empresários precisaram readequar seus serviços e produtos para essa nova realidade.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, explica que, com o avanço da pandemia, a renda das famílias encolheu. “Devido ao isolamento social, muitos trabalhadores passaram a trabalhar de forma remota, tiveram seu salário reduzido ou até mesmo o contrato suspenso. Esse cenário afeta diretamente as relações de consumo, uma vez que o cliente deixa de consumir itens e serviços não essenciais, provocando um efeito desigual na oferta e na demanda.”

Com o faturamento em queda, os estabelecimentos precisaram se readequar para manter o fluxo de caixa em dia. Muitos negócios revisaram seu mix de produtos, outros reavaliaram os estoques e até mesmo incorporaram serviços de entrega (os deliveries). “É uma situação inédita. Por isso, saber se adaptar a ela é a chave para a sobrevivência de muitas atividades empresariais”, avalia Almeida.

Para manter a saúde financeira do negócio, o economista-chefe detalha que os empresários devem se planejar e organizar o mix de produtos e serviços. Além disso, precisam reduzir os estoques de itens pouco comercializados, priorizar os que estão sendo mais procurados, adotar novas ferramentas de vendas, garantir a entrega e, principalmente, acompanhar a experiência do cliente.

O especialista da Federação também faz alguns alertas: é preciso ter cuidado na reposição dos produtos essenciais da loja, que são os mais procurados pelos consumidores. E, principalmente neste período de crise, deve-se evitar novos compromissos financeiros, que fujam da atual renda do negócio. Afinal, a prioridade é a quitação dos débitos mensais com os fornecedores e funcionários.

O período de pandemia também impôs outro hábito: o aumento das compras feitas on-line e a utilização de meios digitais para realizar os pagamentos. Esse fenômeno é reflexo de uma nova realidade, que ganha contornos ainda mais nítidos neste momento. De acordo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o isolamento social impulsionou a abertura de mais de 100 mil lojas virtuais somente em abril deste ano, índice dez vezes superior à média mensal.

“As compras on-line e o pagamento pela internet são práticas que se fortaleceram após a adoção das medidas de distanciamento social e, provavelmente, devem permanecer pós-pandemia. Os empresários devem estar atentos a essa tendência e reestruturarem seus negócios. Não é possível se adaptar às novas necessidades do mercado e do consumidor sem planejamento”, finaliza Almeida.

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