Com o fechamento temporário de várias atividades empresariais em Minas, os empreendedores têm feito as contas para garantir a sobrevivência dos negócios. Mas quando os recursos se esgotam, não basta apenas cortar despesas: é preciso contrair crédito junto ao sistema financeiro. De acordo com dados apurados pela Fecomércio MG, 45,8% das empresas mineiras devem solicitar ou já solicitaram financiamento para bancos privados, públicos ou de desenvolvimento.

No entanto, o que deveria ser uma solução acabou se tornando um entrave para 14,1% dos empresários do Estado. Esse grupo não conseguiu contratar crédito para as suas empresas, ficando mais sujeito aos efeitos da crise. Diante desse cenário, a Fecomércio MG enviou um ofício ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) solicitando o apoio da instituição financeira, parceira da Federação, neste momento de dificuldade de acesso ao crédito.

A entidade requereu ao banco os seguintes pedidos: (1) revisão das exigências documentais e comprobações necessárias ao acesso às linhas de financiamento; (2) flexibilização dos parâmetros de avaliação e aprovação de propostas; (3) correção de instabilidade do site da instituição; (4) reavaliação dos critérios de análise de risco; (5) avaliação da possibilidade de bens alternativos como garantia.

A presidente interina da Fecomércio MG, Maria Luiza Maia Oliveira, enalteceu a relevância da instituição para a economia mineira e justificou a necessidade de revisão das condições para requisição de crédito. “Por causa do novo coronavírus, em mais de 57% das empresas do Estado, a queda na receita já supera 60%. Por isso, o nosso pedido ao BDMG, que além de parceiro da entidade, é o principal agente financiador de micros e pequenos negócios em Minas Gerais”, explica.

Menos burocracia e mais recursos

Em resposta à Fecomércio MG, a instituição destacou os esforços para otimizar seus processos de concessão de crédito. Ciente do momento, o BDMG dispensou o reconhecimento de firma em função do fechamento dos cartórios, desobrigou a apresentação de documentos de comprovação de imóvel e veículo para empresas do setor de saúde e eliminou a regra que impedia a concessão de crédito para empresas com parcelamento fiscal do Simples Nacional iniciado há três meses.

Além de desburocratizar a concessão de crédito, o BDMG expandiu em 130% o volume de recursos para micros e pequenas empresas (MPEs) em relação aos dois meses anteriores à crise, alcançando uma média diária de R$ 1,9 milhões liberados. Segundo o diretor-presidente da instituição, Sérgio Gusmão, até o fim de 2020, o BDMG deve disponibilizar R$ 1,1 bilhão em financiamentos para MPEs.

O banco tem contemplado, ainda, ações de renegociação de dívidas, novas linhas de crédito e redução de taxas com melhoria de prazos de carência. Os destaques ficam como as linhas BDMG Solidário (com taxas a partir de 0,83%, prazo de até 48 meses e carência de 6 meses), Fungetur Giro (com taxas a partir de INPC + 5% ao ano e aumento da carência para 12 meses) e Empreendedoras de Minas (com taxa a partir de 0,8% e carência de seis meses).

Investimentos em tecnologia

O crédito, na maioria dos casos, pode ser solicitado por meio da plataforma on-line BDMG Digital, com a liberação das condições de financiamento e contrato em uma hora e aprovação do crédito um dia após o envio da documentação. No entanto, devido à demanda quase oito vezes superior ao período pré-Covid-19, tanto o site quanto a plataforma têm enfrentado problemas de infraestrutura.

Para mitigá-los, o banco tem tomado inúmeras medidas, como o desenvolvimento de tutoriais para os clientes, o reforço da equipe de atendimento e investimentos

emergenciais na área de tecnologia. A instituição também trabalha para que, em breve, o BDMG se torne o primeiro banco Pessoa Jurídica (PJ) 100% digital sem conta corrente do Brasil.

Outras medidas estão em fase de análise, como a adoção de garantia real de recebíveis como forma de alavancar a liberação de recursos. “Esperamos, com essas ações, continuar cumprindo o papel do BDMG, que é apoiar o estado de Minas Gerais por meio de soluções financeiras que permitam aos empresários mineiros minimizar os impactos da crise do novo coronavírus”, acredita Gusmão.

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