***Maria Luiza Maia Oliveira, presidente interina da Fecomércio MG

Em qualquer lugar que se olhe na capital mineira, lá está um estabelecimento de comércio de bens, serviços e turismo. Sozinho, esse setor representa 88,37% dos negócios locais, além de boa parte da arrecadação municipal. Ele também emprega 61,2% da mão de obra formal de Belo Horizonte, sendo 170 mil postos de trabalho só no comércio (14,4%). Mas, com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), esse retrato mudou. Em março, as atividades não essenciais foram suspensas, e, só após muito diálogo, uma parte vem sendo reativada.

Na última semana, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) optou por manter o funcionamento do setor de comércio e serviços na fase dois, sem ampliar a reabertura de novas atividades empresariais. Sabemos que estamos vivenciando um momento atípico, que exige união em favor dois pilares fundamentais à sociedade: a saúde da população e a manutenção da economia e dos empregos, condições essenciais para a recuperação social e econômica de Minas Gerais.

A Fecomércio MG, enquanto entidade representativa do setor terciário, preocupa-se com os impactos financeiros da pandemia. Desde o início do isolamento social na cidade, a capital mineira perdeu mais de 20 mil postos de trabalho formal. Essas demissões, somadas às vagas extintas no Estado, totalizam 88.298 empregos encerrados em todos os setores, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio, divulgado pelo Ministério da Economia.

Diante disso, muitos empresários do comércio de bens, serviços e turismo temem que haja uma aceleração no índice de desemprego na cidade, caso a reativação da economia não continue gradativamente. Afinal, muitos empresários aderiram às diretrizes da Medida Provisória (MP) 936/2020, que permitiu a suspensão de contratos de trabalho pelo prazo de 60 dias. Logo, desde o dia 1° de junho de 2020, os estabelecimentos empresariais não puderam mais se valer da suspensão, encontrando grandes dificuldades para preservar esses empregos.

A reabertura parcial das atividades empresariais na capital mineira, embora tenha atenuado as dificuldades financeiras de alguns segmentos, é condição ainda insuficiente para o restabelecimento da economia local. Por isso, entendemos que é preciso adotar medidas que contribuam para a reativação de todas as atividades sociais e econômicas em Belo Horizonte, seguindo explicitamente as determinações dos órgãos de saúde e vigilância sanitária.

A Federação segue confiante que a situação seja resolvida no menor tempo possível, a partir do diálogo entre a PBH e as entidades representativas dos segmentos empresariais que ainda não foram autorizados a funcionar. O debate objetivo e cooperado entre o poder público e a iniciativa privada certamente contribuirá para que se possa equilibrar as demandas da economia, sem perder o controle em relação ao avanço do novo coronavírus na capital.

Todos estão empenhados em garantir o retorno gradual e seguro das atividades empresariais. Afinal, somente unidos, poderemos olhar para o futuro com a certeza de que haverá, num horizonte próximo, condições de restabelecermos o setor terciário, assegurando o desenvolvimento econômico e social da capital dos mineiros, sem negligenciar o cuidado e a prevenção que o momento exige.

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