Seja na vida ou no mercado, quem se adapta sobrevive. Diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), fatores como o distanciamento social e a paralisação de diversos segmentos econômicos deram um duro golpe em milhares de empresas. Se, por um lado, as medidas contribuíram para minimizar o avanço do vírus, por outro, elas forçaram milhares de empresários se readaptarem para manter seus estabelecimentos em atividade. E a solução parece ter dado certo, em alguns casos.

A reinvenção de parte do comércio e as perspectivas pós-pandemia permitiram que o empresário da capital mineira se mostrasse novamente otimista com a recuperação da economia. Esse comportamento não se refletia desde o início da pandemia de Covid-19. É o que aponta o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de Belo Horizonte, que registrou 57 pontos em julho, uma variação positiva 2,7 pontos percentuais (p.p), em comparação a junho (54,3).

Elaborado mensalmente pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Icec reflete as perspectivas em relação ao futuro da economia, do comércio e das empresas atuantes, antecedendo aos resultados nas lojas. O indicador serve de referência para decisões relativas ao desenvolvimento local, como os investimentos e a geração de novos empregos.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, observa que a oscilação positiva do indicador é reflexo do esforço dos empresários em manter as atividades em funcionamento. “Apesar do avanço, ainda há um longo caminho a percorrer, uma vez que o indicador permanece na zona de pessimismo, que varia entre 0 a 100 pontos. Esse resultado sinaliza um início de recuperação da confiança dos empresários, que poderá se consolidar em médio prazo”, avalia.

A tendência de alta foi acompanhada pelo Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec), que registrou 79,7 pontos em julho, uma expansão de 19,1 pontos em relação ao mês anterior (60,6). Entre os destaques do subindicador, que sinaliza as impressões do setor para os próximos meses, está a confiança dos empresários na melhora do comércio. “Na avaliação de julho, 39,9% acreditaram na expansão do setor, um crescimento de 10,3 p.p. em relação ao mês passado. Desse total, 10,8% confiaram que, para o comércio, o cenário irá melhorar muito e 29,1% apostaram numa evolução em menor intensidade”, quantifica Almeida.

No entanto, os outros dois subindicadores registraram novas quedas. É o caso do Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec), que atingiu 58,7 pontos. Ele retrata os planos de melhoria na loja, de ampliação de estoques e do quadro de funcionários. Entre os itens do subindicador, destaca-se o nível adequado dos estoques, fator apontado por 44,5% dos entrevistados. Além disso, 49,6% dos empresários afirmaram que os investimentos estão muito menores, em virtude do cenário de incertezas enfrentado pelos estabelecimentos.

Já o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec), que avalia a evolução da conjuntura econômica do país, do setor e das empresas, registrou 32,5 pontos em julho. Nesse quesito, o otimismo do empresário caiu principalmente entre aquelas empresas que possuem até 50 empregados. O Icec é realizado com mil empresários de Belo Horizonte, possui margem de erro de 3,5% e um intervalo de confiança de 95%.

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