Vários seguimentos econômicos do comércio de bens, serviços e turismo em Belo Horizonte encontram-se há mais de 130 dias fechados. E, por decisão unilateral da Prefeitura, esse prazo se estenderá por mais algum tempo. Na tarde desta sexta-feira (31/07), o órgão manteve apenas os serviços essenciais funcionando na cidade. A medida vai na contramão das inúmeras reivindicações da Fecomércio MG, de empresários e entidades representativas de comércio, serviços e turismo.

A Federação manifesta sua indignação com a postura do Poder Executivo Municipal, que penaliza não apenas o setor terciário, responsável por 88,37% dos negócios na capital. A decisão sacrifica milhares de empregos na cidade, achata a renda de famílias inteiras e expõe a população a diversos problemas financeiros. Enquanto esse cenário perdura, empresários continuam amargando prejuízos e se veem na iminência de encerrarem suas atividades definitivamente.

O setor mantinha a expectativa que houvesse uma flexibilização das atividades nesta sexta-feira (31/07). A medida, se não recuperaria os prejuízos incontáveis já acumulados, serviria de alento às empresas. Elas poderiam aproveitar o Dia dos Pais – a ser comemorado em 9 de agosto – para circular estoques, prestar serviços, melhorar o fluxo de caixa e ganhar mais fôlego frente à crise, obtendo resultados mais satisfatórios que na Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Namorados.

Investimento e orientação

Fonte de renda de 61,2% da mão de obra formal de Belo Horizonte, o setor de comércio, serviços e turismo não pode ter a si atribuído o aumento no número de casos confirmados de Covid-19. Pelo contrário, mesmo com o fechamento das atividades na cidade, o índice de transmissão continuou a crescer. Nos últimos 30 dias, os casos confirmados da doença subiram 342%, passando de 5.915 para 20.276, no dia 30 de julho. A tendência também foi acompanhada pela taxa de ocupação de leitos: 87% dos leitos, há um mês, contra 90,7% ontem (30/07).

A Federação lembra que, embora a maior parte do setor de comércio e serviços esteja fechada, a circulação de pessoas pelas ruas da capital continua expressiva. Por isso, a entidade defende que, atuar com restrições à atividade empresarial por tempo indeterminado não é medida eficaz, sendo preciso orientar a população e investir em saúde pública de qualidade, um dever do Poder Público. Porém, o munícipio alega que a criação de novos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) dependente da evolução da doença, decisão que sacrifica o funcionamento do comércio de bens, serviços e turismo e responsabiliza indevidamente os setores.

A preocupação da Fecomércio MG e seus representados com mais uma semana de estabelecimentos fechados se encontra nos dados de junho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Segundo o Ministério da Economia, apenas no mês passado, mais de 2,3 mil trabalhadores com carteira assinada perderam o emprego em Belo Horizonte. No acumulado de janeiro a junho, mais de 39 mil postos de trabalho já foram extintos na capital.

Sinergia em favor de BH

Desde o início da pandemia de Covid-19, a Fecomércio MG defende o diálogo com uma ferramenta indispensável para a mediação de conflitos. Porém, a entidade já tentou, por diversas vezes, contato com a Prefeitura. A Federação deseja contribuir na busca por soluções que contemplem as necessidades econômicas e sanitárias, garantindo uma retomada gradativa e segura das atividades, não uma aceleração dos índices de desemprego na capital.

A Federação sabe que só assegurando a manutenção da renda e das empresas, Belo Horizonte poderá garantir condições mínimas para continuar no caminho do desenvolvimento. Nesse sentido, a colaboração entre a Prefeitura e as entidades representativas dos setores empresariais é o melhor caminho para que, juntas, possam unir forças, analisar dados, reunir propostas e planejar com cautela e segurança a retomada da flexibilização do comércio na capital mineira.

A Fecomércio MG sempre esteve – e estará – aberta ao diálogo com a Prefeitura de Belo Horizonte. Afinal, acredita que equilibrar as demandas sociais e econômicas, sem perder o controle em relação ao avanço da doença, é um dever de todos.

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