O primeiro semestre de 2020 encerrou com o número de inadimplentes em Belo Horizonte em expansão. É o que mostra a edição de junho da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Fecomércio MG. De acordo com a análise, a quantidade de famílias com contas atrasadas na capital mineira cresceu 1,9 pontos percentuais (p.p), atingindo 41,1% em junho. Seguindo a mesma trajetória, o número de famílias endividadas voltou a crescer na cidade, alcançando 80,2%, o resultado mais elevado desde 2018.

Elaborada pela Fecomércio MG, a Peic é produzida mensalmente com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores.

Entre as formas de pagamento, o cartão de crédito continua como a opção mais utilizada pelos consumidores na capital mineira, apesar da queda de 3,5 p.p. Em junho, 81% dos consumidores fizeram dívidas nessa modalidade. Ele vem seguido por carnês (18,5%), crédito pessoal (13,6%), financiamento de veículos (10,5%), crédito consignado (7,9%) e o cheque especial (7,8%).

Os percentuais são ainda mais elevados nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos: cartão de crédito (94,6%), financiamento de veículos (20,2%), crédito pessoal (14,5%), financiamento imobiliário (13,2%), cheque especial (11,2%) e carnês (10,7%). O avanço no endividamento nesse grupo já vinha atrelado ao aumento no estoque dos recursos para pessoas físicas, à redução do custo de empréstimos e financiamentos e à facilitação das condições de crédito.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, explica que os dados da Peic de junho seguem uma tendência de maior comprometimento da renda familiar durante a pandemia de Covid-19, o que impacta na inadimplência e no endividamento. “O avanço do endividamento vinha apoiada no crescimento do mercado de crédito. Mas, com a crise do coronavírus, o espaço para ampliar esse crédito diminui e muitas famílias endividadas se tornam inadimplentes.”

A pesquisa da Federação mensurou também o percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de quitar as dívidas. Pelo quarto mês seguido, esse indicador avançou, assumindo o valor de 19,4%, em junho. “Esse movimento é explicado pela queda na renda do consumidor, já que muitos postos de trabalho foram encerrados nos últimos meses. Só em BH, foram mais de 35 mil vagas, segundo dados do Caged”, analisa Almeida.

Em Belo Horizonte, o endividamento representa 10% da renda familiar em 82,1% dos casos, enquanto para 22,5% dos entrevistados esse percentual atinge 50% do orçamento mensal. Com dificuldade de renda por causa da crise, muitas famílias têm tentado estender ao máximo as dívidas, aumentando o tempo de comprometimento das contas a pagar para sete meses e meio em junho.

Segundo o economista-chefe da Federação, diante dessa situação, é fundamental que as famílias renegociem as suas dívidas, para que, assim, consigam manter poder de compra. “Os consumidores devem procurar os seus credores para ampliar os prazos de pagamento, reduzir os custos de suas dívidas ou mesmo trocar uma dívida cara e de curto prazo por outra mais barata”, sugere.

Para realizar a pesquisa de junho foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira. A margem de erro da pesquisa, elaborada nos últimos dez dias de maio, é de 3,5% e o nível de confiança é de 95%.

Postagens Recentes