A mudança de hábitos em virtude da pandemia não freou o consumo na capital mineira. Pelo quinto mês consecutivo, o endividamento das famílias de Belo Horizonte mantém a trajetória de alta. Não por acaso, no último mês, esse indicador atingiu 81,2% da população da cidade, uma variação de 1,0 ponto percentual (p.p.) acima do registrado em junho (80,2). A tendência é seguida pela quantidade de famílias com contas atrasadas, que alcançou 41,6% em julho.

Elaborada pela Fecomércio MG, a Peic é produzida mensalmente com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores.

A economista da Fecomércio MG, Bárbara Guimarães, explica que, apesar do número de endividados ultrapassar 80%, o indicador é um termômetro em relação ao consumo. “Apesar das adversidades provocadas pela pandemia do novo coronavírus, as famílias continuam consumindo. No entanto, o nível de inadimplência também seguiu essa trajetória, o que preocupa, principalmente pelo achatamento da renda familiar, uma consequência dos efeitos da paralisação das atividades econômicas e do aumento do desemprego na capital”, pontua.

A pesquisa também captou pequenas reduções no nível de comprometimento com as principais modalidades de dívida contraídas pela população belo-horizontina. É o caso do cartão de crédito, que oscilou de 81% em junho para 79,1% em julho. A tendência foi seguida pelos carnês (de 18,5% em junho para 18,4% julho); crédito pessoal (de 13,6% para 10,5%); financiamento de carro (de 10,5% para 9,0%) e cheque especial (de 7,8% para 5,8%).

Já outras modalidades, como crédito consignado (8,8%), financiamento imobiliário (7,1%) e cheque pré-datado (2,1%), registraram um comprometimento maior na comparação com o mês de junho. “Na pesquisa atual, observamos uma expansão de 1,1 ponto percentual no uso do crédito consignado em relação ao mês anterior (7,9%). Apesar da necessidade de crédito no período, é fundamental que as famílias tenham cuidado ao contratar empréstimos, devido à oscilação da renda mensal e à redução dos postos de trabalho no país”, alerta Bárbara.

Em Belo Horizonte, o endividamento representa 10% da renda familiar em 84,9% dos casos, sendo que para 23,5% dos entrevistados esse percentual atinge 50% do orçamento mensal. Em média, o tempo de comprometimento da renda é de sete meses e meio. Para realizar a pesquisa de julho foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira. A margem de erro da pesquisa, elaborada nos últimos dez dias de junho, é de 3,5% e o nível de confiança é de 95%.

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