Os consumidores da capital mineira estavam mais dispostos a comprar no mês de agosto. É o que aponta a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Belo Horizonte, que expandiu 2,2 pontos percentuais (p.p.), alcançando 61,5 pontos em agosto, contra 59,3 registrados em julho. Apesar de ser a maior variação registrada neste ano, o índice permanece no nível de insatisfação, ficando abaixo dos 100 pontos, fronteira que sinaliza o otimismo do consumidor.

Elaborado mensalmente pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a ICF é um indicador capaz de medir, com precisão, a avaliação que os consumidores fazem, mês a mês, sobre aspectos relacionados à condição de vida de sua família, como a capacidade e a qualidade de consumo atuais e de curto prazo, o nível de renda doméstico e a segurança no emprego.

A analista de pesquisa da Fecomércio MG, Letícia Marrara, entende que a retomada gradual das atividades econômicas tem levado às famílias retornarem gradualmente às ruas e realizarem compras. “Apesar desse movimento, ainda é preciso ter cautela e planejar bem os gastos. O consumidor precisa organizar suas contas e ficar atento para não perder o controle da renda. Em contrapartida, o empresário deve focar em ações que possam atrair os clientes até às lojas, como descontos, mudanças no mix de produtos e atendimento diferenciado.”

O crescimento do indicador foi influenciado pela melhora dos seguintes itens: emprego atual (83,6 em julho para 85,8 em agosto); perspectiva profissional (66,2 para 69,2); renda atual (68,7 para 70,8); nível de consumo (41,1 para 43,3); perspectiva de consumo (69,2 para 72,6) e consumo de bens duráveis (22,6 para 25,5). No entanto, Letícia lembra que, apesar da alta na procura por eletrodomésticos e móveis, apontada pelo IBGE, o momento para a aquisição de bens duráveis e semiduráveis ainda não é o ideal, devido às dificuldades de acesso ao crédito por boa parte da população.

Segundo a pesquisa, o acesso ao crédito está mais difícil para 56,2% dos entrevistados, especialmente para compras a prazo. Não à toa, o subindicador retraiu 0,8 pontos de julho para agosto, registrando 62,9 pontos. Essa percepção atinge principalmente as famílias com renda acima de 10 salários mínimos (83,3%). “A pandemia do novo coronavírus impôs dificuldades econômicas a diferentes segmentos da sociedade. Por isso, é preciso ter atenção à renda familiar, comprar dentro do orçamento e evitar a inadimplência”, pondera Letícia.

Para elaborar a pesquisa de agosto, mil famílias residentes em Belo Horizonte foram entrevistadas nos últimos dez dias de julho. A margem de erro da pesquisa é de 3,5% e o nível de confiança é de 95%.

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