*Maria Luiza Maia Oliveira, presidente interina da Fecomércio MG

O comércio de bens, serviços e turismo faz parte da diversidade que representa Minas Gerais. Além de expressarem a cultura, da gastronomia e da moda no Estado, esses estabelecimentos são parte da história de milhares de mineiros, que conseguem manter suas famílias e contribuir com o crescimento do país, graças ao trabalho nesse setor.

Essa força também cabe em números: a cada 100 negócios na cidade, 88 pertencem ao comércio de bens, serviços e turismo. A cada dez empregos, seis são gerados por essas empresas. Não por acaso, diante das dificuldades, os mineiros sempre olham para o setor terciário, nossa força-motriz, que se adapta às mudanças, não importa a crise.

Entusiasmados com os prognósticos para 2020, muitos empresários projetaram vendas recorde, contratações e investimentos. Mas os sonhos encontraram a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) pelo caminho – e, com ela, muitas incertezas. Nas maiores cidades mineiras, sobretudo na capital, a suspensão de dezenas atividades impôs sacrifícios às empresas, que precisarão de tempo e recursos para se restabelecerem.

Os impactos da crise de saúde ainda são incalculáveis, especialmente diante das novas dinâmicas de trabalho, hábitos e modelos de gestão. O empresário precisou se reinventar e pensar em estratégias para manter suas operações. Não à toa, o investimento em tecnologia cresceu neste período, permitindo, em muitos casos, a continuidade do trabalho em home-office. Com várias atividades suspensas, muitos ampliaram os negócios para os canais digitais, oferecendo a possibilidade de aquisição de produtos e serviços sem sair de casa.

O período exigiu ainda mudanças na cultura organizacional das empresas. A maior, certamente, foi a de paradigmas. Esses meses reforçaram que é preciso ter um bom planejamento a respeito dos negócios, bem como uma reserva de caixa para a manutenção das atividades em tempos de crise. Também é necessário se adaptar às adversidades e conseguir reformular projetos, quando necessário. Aos poucos, o ‘novo normal’ tem se estabelecido, uma vez que nossos hábitos jamais serão os mesmos de antes da pandemia.

Com a proximidade do fim do ano, precisamos reavaliar essa trajetória para que em 2021 possamos fortalecer a atuação das empresas e recuperar a economia do país. O pós-pandemia exigirá mais planejamento, reestruturações, flexibilidade e conhecimento para lidarmos com entraves, focando em respostas rápidas e na cooperação para superarmos este momento.

Assim como no passado, o desafio atual exigirá de nós coragem e união. Sabemos que a inovação faz parte da nossa história. Do escambo ao mercantilismo, das lojas físicas às virtuais, sempre nos reinventamos. Por isso, nós, da Fecomércio MG e sindicatos empresariais, trabalharemos para que o setor atravesse essa crise ainda mais forte. Afinal, o comércio de bens, serviços e turismo é o que faz Minas crescer.

* Publicado no jornal O Tempo

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