Pelo terceiro mês consecutivo, o indicador que mensura as dívidas das famílias belo-horizontinas registrou uma nova retração. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de Belo Horizonte, elaborada pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em setembro, 71,6% dos consumidores da capital mineira estavam endividados, 6,1 pontos percentuais (p.p.) a menos que no mês anterior (77,7%). O resultado é o menor apurado ao longo de 2020.

O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, destaca que a pesquisa também registrou uma queda no percentual de inadimplência. “Observamos uma nova retração no percentual de consumidores com as contas atrasadas. Em setembro, o índice alcançou 34,6%, 4,8 pontos abaixo do registrado em agosto, quando o indicador alcançou 39,4%. Esse cenário pode ser justificado pela retomada das atividades na capital, que recuperou parcialmente a renda, permitindo aos consumidores honrarem seus compromissos financeiros”.

A principal modalidade de dívida continua sendo o cartão de crédito. Não por acaso, 82,1% dos consumidores optaram por essa forma de pagamento em setembro. “O cartão de crédito ainda é visto como um complemento do orçamento familiar mensal, o que é um grande risco, pois essa modalidade possui um dos maiores juros do mercado. Nesta avaliação, verificamos que ele é utilizado por 91,8% das famílias com mais de dez salários mínimos”, explica Almeida.

Outras modalidades de dívidas citadas pelos entrevistados foram: os carnês (14,6%), o financiamento de carro (10,3%), o crédito pessoal (9,6%), o crédito consignado (8,5%), o cheque especial (8,1%) e o financiamento imobiliário (4,3%). “Nos últimos meses, os percentuais relacionados aos empréstimos têm oscilado bastante. Não por acaso, o crédito pessoal registou uma expansão de 5,8 pontos em relação ao mesmo período do ano passado, quando o indicador atingiu 3,8%. É fundamental que as famílias tenham cuidado com a contratação de empréstimos neste período, sobretudo pela variação da renda mensal, em função da pandemia, e pela redução dos postos de trabalho”, alerta o economista-chefe.

Já o percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de quitar a dívida também apresentou uma nova queda, assumindo 16% em setembro, 2,4 p.p. abaixo do registrado em agosto (18,4%). Na capital mineira, o endividamento representa 10% da renda familiar em 81,8% dos casos, sendo que esse percentual atinge 50% do orçamento mensal para 22,6% dos entrevistados. Em média, o tempo de comprometimento da renda é de sete meses.

A Peic retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores da capital mineira. Para elaborar a pesquisa de setembro, foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira. A margem de erro da Peic, realizada nos últimos dez dias de julho, é de 3,5%, e o nível de confiança é de 95%.

PIX pode reduzir a inadimplência

Nova modalidade de pagamentos, prevista para entrar em vigor a partir de 16 de novembro, o PIX pode contribuir para reduzir o percentual de inadimplentes e o uso do cartão de crédito, atualmente, a principal modalidade de pagamento usada pelos consumidores.

“A modalidade traz mais agilidade às transações, reduz custos financeiros para os empresários e traz praticidade aos usuários. Com isso, pode ser tornar um meio de pagamento mais usual na rotina da população, que ainda opta pelo cartão de crédito como a principal forma de pagamento. Além disso, a partir de 2021, ela permitirá aos consumidores que façam saques em lojas físicas, gerando maior fluxo de valores, mais conveniência e competitividade às empresas”, ressalta o economista-chefe da Fecomércio MG.

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