As incertezas provocadas pela pandemia e o achatamento da renda familiar podem ter contribuído para uma nova queda na intenção de consumo das famílias em Belo Horizonte. Em março, o indicador atingiu 71,9 pontos percentuais (p.p.), uma retração de 1,4 pontos em comparação ao mês de fevereiro. O resultado é menor obtido no primeiro trimestre de 2021.

Essa é uma constatação da pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborada mensalmente pela Fecomércio MG, com dados coletados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Nesta avaliação, o indicador permaneceu no nível de insatisfação, ficando abaixo dos 100 pontos, fronteira que sinaliza o otimismo do consumidor.

A analista de pesquisa da Fecomércio MG, Carolina Barcelos, destaca que as famílias estão mais cautelosas na hora de comprar. “O cuidado ao consumir pode ser justificado, principalmente, pelas incertezas econômicas. Por isso, diante desse cenário, é essencial que os consumidores tenham mais atenção ao planejamento doméstico e pesquisem antes de adquirir qualquer produto ou serviço.”

Entre os subindicadores avaliados pela ICF, apenas a perspectiva profissional e a renda atual registraram crescimento, assumindo, respectivamente, o valor de 93,2 pontos e 87,5 pontos. Já os demais itens como emprego atual (100,6 pontos em fevereiro para 99,9 em março); acesso ao crédito (69,6 para 68,9); nível de consumo (50,4 para 47,1); perspectiva de consumo (77,1 para 74,0) e consumo de bens duráveis (35,9 para 32,7) recuaram na avaliação.

“Em comparação ao ano passado, o acesso ao crédito está mais difícil para 50,1% dos entrevistados, especialmente para as compras a prazo. Essa dificuldade está relacionada no nível de consumo das famílias, já que 64,5% dos entrevistados avaliam que estão comprando menos”, ressalta Carolina.

O ICF é capaz de medir, com precisão, a avaliação que os consumidores fazem, mensalmente, sobre aspectos relacionados à condição de vida de sua família. Entre esses fatores estão a capacidade e a qualidade de consumo atuais e de curto prazo, o nível de renda doméstico e a segurança no emprego.

Para elaborar a pesquisa de março, mil famílias residentes em Belo Horizonte foram entrevistadas nos últimos dez dias de fevereiro. A margem de erro da pesquisa é de 3,5% e o nível de confiança é de 95%.

Postagens Recentes