As perdas causadas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) ainda estão longe de serem completamente superadas. Com a confiança abalada pelo atual estágio da crise, apenas 27,9% do varejo da construção civil acredita que o faturamento do 1º semestre de 2021 será superior ao registrado no 2º semestre de 2020. É o que aponta a pesquisa do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção, Tintas, Ferragens e Maquinismos de Belo Horizonte e Região (Sindimaco BH e Região), em parceria com a Fecomércio MG.

Com a adesão de todo o estado à onda roxa, o presidente do Sindimaco BH e Região, Júlio Gomes Ferreira, projeta dificuldades para o segmento de materiais de construção. “A maioria do comércio varejista da construção civil não possui estrutura para a entrega de produtos em domicílio. É precipitado estimar perdas e demissões por causa das restrições impostas pelo governo de Minas. Mas, caso essas medidas sejam prolongadas, certamente haverá corte de funcionários.”

Por outro lado, os juros baixos e a nova percepção das pessoas em relação à casa própria – fator motivado pelas medidas de distanciamento social e o trabalho a distância – favorecem a tomada de crédito e estimulam o ‘consumo formiguinha’. Com isso, 44,4% dos empresários do segmento esperam a melhora ou a manutenção da saúde financeira de seus negócios no 1º semestre do ano.

Em relação ao 2º semestre de 2020, 77,3% dos entrevistados afirmaram que o faturamento do segmento se manteve ou aumentou na comparação com o 1º semestre. Já 78,8% dos empresários disseram que os ganhos foram iguais ou superiores ao 2° semestre de 2019. No entanto, para a maioria das empresas onde o faturamento retraiu frente ao 1º semestre de 2020, a melhora nas vendas variou entre 11% e 20% ou entre 31% e 40%.

Com o mercado imobiliário ainda aquecido, 40,8% dos entrevistados perceberam melhora na situação financeira do seu negócio em dezembro passado. Já 20,7% viram a situação piorar devido à queda nas vendas. “Após um período de alta procura por materiais de construção, 60,6% do varejo chegou com o estoque abaixo do desejado. Por isso, é fundamental ter controle sobre as compras. Essa medida evita gastos desnecessários e vendas frustradas”, pontua Ferreira.

Estratégias para o negócio

Para minimizar os efeitos das novas restrições ao funcionamento do comércio, 33,0% dos empresários farão promoções e liquidações para atrair o consumidor, 0,5 ponto percentual (p.p) abaixo do semestre anterior. “A atitude é benéfica ao empresário, que pode liquidar seus estoques e garantir recursos para a compra de um novo mix de produtos. Além disso, uma boa alternativa para continuar atendendo os clientes é diversificar os canais de vendas e investir em delivery”, sugere o economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida.

Pagamentos e inadimplência

Quando o assunto são formas de pagamento, o cartão de crédito domina as vendas com 62,0%. Ao todo, 94,1% dos entrevistados disseram que aceitaram essa modalidade, primordial para a imagem e a geração de renda do estabelecimento. Enquanto isso, 67,6% dos empresários viram a inadimplência nas vendas a prazo se manter ou aumentar no 2º semestre em relação ao 1º semestre de 2020. Já a inadimplência por meio de cheque cresceu ou se estabilizou para 58,3%.

A pesquisa foi realizada em Belo Horizonte, Betim, Confins, Contagem, Lagoa Santa, Nova Lima, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Sabará, São José da Lapa e Vespasiano. Entre as empresas selecionadas, 74,7% integram o segmento de ferragens, madeiras e materiais de construção, e 72,5% possuem até nove funcionários, sendo caracterizadas como microempresas. A margem de erro da análise é de 5%, a um intervalo de confiança de 95%.

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