Pelo quarto mês consecutivo, o número de endividados em Belo Horizonte voltou a crescer. Em abril, esse indicador atingiu 71,4% da população da cidade, uma variação de 2,0 pontos percentuais (p.p.) superior a março (69,4%). Esse valor é o mais alto atingido pelo índice desde outubro de 2020, quando registrou 70,4%. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A tendência de crescimento do número de endividados é acompanhada pela quantidade de famílias com contas atrasadas, que expandiu 1,2 ponto percentual (p.p.). Com isso, a inadimplência alcançou 32,5% da população da capital mineira. Já o percentual de consumidores que afirmaram não ter condições de quitar suas dívidas atingiu 14,5%.

A economista da Federação, Gabriela Martins, destaca que o crescimento nos indicadores está relacionado ao momento vivenciado pelas famílias. “O cenário ainda requer cautela dos consumidores, devido ao achatamento da renda, o desemprego e a insegurança provocada pela pandemia. Por isso, muitas famílias acabam recorrendo ao cartão de crédito e ao cheque especial para adquirir de itens essenciais e pagar dívidas. De março para abril, essas modalidades cresceram de 85,5% para 87,6% e de 7,6% para 8,2%, respectivamente.”

A pesquisa também captou pequenas variações no nível de comprometimento com as principais modalidades de dívida: financiamento de carro (de 10,6% em março para 10,7% em abril); carnês (de 10,7% para 10,5%); financiamento de imóveis (de 7,7% para 8,0%); crédito consignado (de 6,5% para 7,4%); crédito pessoal (de 5,5% para 7,2%); e cheque pré-datado (de 1,7% para 2,3%).

“Na avaliação atual da Peic, observamos uma expansão de 1,7 ponto percentual no uso do crédito pessoal em relação ao mês anterior. Apesar da necessidade de crédito no período, é fundamental que as famílias tenham cuidado ao contratar empréstimos, devido à oscilação da renda mensal e à redução dos postos de trabalho no país”, alerta Gabriela.

Em Belo Horizonte, o endividamento representa mais de 10% da renda familiar em 80,9% dos casos e 50% do orçamento mensal para 20,7% dos entrevistados. Em média, o tempo de comprometimento da renda é de sete meses.

A Peic retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores. Para a pesquisa de abril, foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira, nos últimos dez dias de março. A margem de erro é de 3,5%, e o nível de confiança é de 95%.

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