Pelo quinto mês consecutivo, o índice de endividamento das famílias cresceu em Belo Horizonte, atingindo 74,4% em maio, 3,0 pontos percentuais (p.p) acima do registrado em abril (71,4). A alta é seguida pela quantidade de famílias com contas atrasadas, que alcançou 33,5%, expansão de 1,0 p.p. Já o número de consumidores que não terão condições de quitar suas dívidas somou 15,1%.

Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa retrata o comprometimento da renda familiar com financiamento de imóveis, carros, empréstimos, cartões de crédito, lojas e cheques pré-datados, bem como a capacidade de pagamento dos consumidores.

Para a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, a elevação dos índices está ligada diretamente ao desemprego e à inflação. “Com o auxílio emergencial menor e a diminuição das oportunidades de trabalho, não há saída: é preciso recorrer ao crédito. As pessoas precisam consumir e adquirir itens de necessidade básica. Com isso, a alta no endividamento é inevitável”, explica.

A pesquisa também apontou que as principais modalidades de dívida dos consumidores da capital sofreram pequenas reduções. É o caso do cartão de crédito, que oscilou de 87,6% para 82,4%, seguido pelo cheque especial (de 8,2% para 7,7%), financiamento de imóveis (de 8,0% para 7,7%), crédito consignado (de 7,4% para 6,6%) e cheque pré-datado (de 2,3% para 2,0%). Já outras duas modalidades registraram crescimento: os carnês (de 10,5% para 15,3%) e o financiamento de carro (de 10,7% para 13,0%).

Em Belo Horizonte, o endividamento representa até 10% da renda familiar em 80,9% dos casos. No entanto, atinge mais da metade do orçamento mensal para 20,1% dos entrevistados. Em média, o tempo médio de comprometimento da renda é de sete meses. Para elaborar a pesquisa de maio, foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira. A margem de erro da Peic, realizada nos últimos dez dias de abril, é de 3,5%, e o nível de confiança é de 95%.

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